Papo de mãe

A mulher depois da maternidade – Parte I

Ser mãe é muito mais do que nove meses de gestação. É uma mudança de pensamentos, paradigmas e crenças. O mundo se torna diferente, você já não tem o mesmo corpo e nem a vida de antes. Nesse furacão de mudanças e sentimentos, como fica a mulher depois da maternidade?

Na foto vemos uma mãe segurando seu bebê no colo.
O que é a maternidade para você? (Créditos da imagem: Jordan Whitt)

Várias vezes eu me peguei pensando no que eu mudei depois da maternidade. Depois da palavra “tudo” vir na minha cabeça, eu começo a questionar: tudo o quê? Quem é a Isa hoje, com uma filha de quase dois anos? E quem era a Isa antes de engravidar? Ô perguntinha mais difícil essa.

Eu demorei um bom tempo para me entender em meio à tantas mudanças. Foi quase como me redescobrir. Eu queria saber – e ainda farei um post sobre isso – se os homens passam por isso também. Porque com a mulher é tudo tão intenso que muitas vezes precisamos de um tempo para nos localizarmos. É como se o nosso GPS do auto-conhecimento estivesse perdido.

Eu não estou falando aqui das noites maldormidas dos primeiros dias (ou meses, ou anos), nem das mudanças físicas que ocorrem no corpo, muito menos das relações com os nossos parceiros. Não estou falando do cansaço, das alegrias, do amor incomparável, das preocupações com a nossa cria. Não estou falando nem do bônus e nem do ônus da maternidade em si. Mas sim de como nós, mulheres, nos vemos depois de sermos mães. E como o nosso mundo mudou depois da maternidade.

Antes da minha filha eu era a Isadora, pesquisadora e empresária. Depois, eu me vi sendo a Isadora, mãe da Sofia. É como se eu tivesse perdido a minha identidade e me tornado “apenas” mãe. Apenas… Que palavrinha ingrata, né! Isso porque ser mãe é tanta, mas tanta coisa! É continuar sendo a pesquisadora, a artista, a enfermeira, a programadora, a professora, a engenheira, etc., mas também começar a ser um pouco de tudo: é ser um pouco educadora, um pouco médica, um pouco psicóloga, um pouco mágica, um pouco comediante, um pouco cozinheira, um pouco faxineira, um pouco nutricionista, um pouco costureira, e assim vai. É se doar sem esperar nada, absolutamente nada em troca. Ou esperar, em alguns dias, um pouco mais de silêncio, um sorriso babado, um abraço meio rápido ou um beijo melecado. Mas, na maioria das vezes, a gente não espera por nada a não ser por termos saúde para continuarmos sendo um pouco de tudo para quem é tudo para nós.

Mas nessa história de sermos o mundo de alguém ou de “alguéns”, as vezes, acabamos deixando de lado aquela que mais precisa do nosso olhar compreensivo: nós mesmas. As vezes, na ânsia de sermos tão boas para as crianças, acabamos sendo rudes conosco, nos cobrando e nos culpando. As vezes, deixamos escapar oportunidades de trabalhos mais remunerados, as vezes deixamos aquele velho hobby de lado, as vezes deixamos de cuidar um pouco da saúde, ou da aparência. Mas, na nossa ingenuidade, muitas vezes esquecemos que melhor do que ser uma mãe perfeita é sermos uma mãe feliz.

A maternidade me mudou de muitas maneiras. Ela me deu novas oportunidades, novas amizades, novos valores e novos horizontes. Ela me ensinou que é possível amar e nem conseguir explicar; ela me ensinou que o tempo passa rápido demais e que a gente tem que viver o aqui e o agora; ela me ensinou que eu posso andar com uma blusa furada, mas minha filha nunca; ela me ensinou a compartilhar com satisfação a parte mais saborosa do bolo; ela me ensinou que eu não tenho controle nenhum sobre outro alguém; ela me ensinou que eu preciso da ajuda de muitas outras pessoas e que eu tenho que confiar nelas; ah, ela me ensinou que a palavra “não” é muito relativa.

Mas, principalmente, ela me ensinou que perdoar os outros é incrível, mas que se perdoar é libertador.

Mas, será que é assim para todo mundo? O que a maternidade tem mudado nas mulheres por aí? Vejamos alguns depoimentos de mães de primeira, segunda, terceira viagem para o Canto da Isa. Identifiquei as minhas participantes (todas reais) com o Faz-Tudo no final, porque nós somos todas guerreiras! Obrigada, meninas! <3

Aprendi à duras penas que não podemos controlar tudo.

Taís Mattar, 40, Fonoaudióloga, mãe do João Pedro e Faz-tudo

Mudou tudo: meu corpo, meus desejos, meus sonhos, minhas prioridades, meu jeito de encarar a vida!

Carol Clapis, 33, Enfermeira, mãe da Valentina e Faz-tudo

O que mais mudou em mim foi a forma de pensar, porém ainda fico confusa se toda essa transformação se deu somente pela maternidade ou se foi por um sofrimento muito grande que eu passei dias antes de me tornar mãe. As vezes, penso: será que a maternidade seria mais leve se eu não tivesse passado por isso? Nunca saberei! A única certeza que eu tenho são as emoções que invadiram a minha vida, um mix de sentimentos que deixa a gente “doidinha” (amor x medo x afeto x insegurança x carinho x culpa x alegria x cobrança x felicidade x dificuldades) e por aí vai. E tudo isso me transformou, e como transformou! Me tornei mais responsável, e responsável por outro ser. As prioridades não são as mesmas, as escolhas não são as mesmas, a vida não é a mesma, eu não sou a mesma.

Fabiana Fortunato, 37, mãe da Gabriela e faz-tudo

Eu defino que a maternidade me fez uma nova pessoa, uma nova e melhor mulher, com muito mais vontade de viver, de enfrentar o mundo. Mas também me trouxe o medo, o medo de errar e isso refletir no caráter dos meus dois filhos, medo de não estar sendo a melhor que eu possa para eles, medo de vê-los sofrer, mas não com coisas que a gente tem que enfrentar para seguir em frente. Eu sempre acreditei em Deus e diante desses dois milagres que a vida me deu, não posso jamais deixar de acreditar Nele.

Daniane Prataviera, 37, auxiliar administrativa, mãe do Davi e do Pedro e faz-tudo

Mudou tudo. Passei a me preocupar mais com minha saúde porque tinha uma criança para cuidar. Achei um significado maior para a minha vida, porque é um amor tão grande que a gente tem por um filho. Lutei para ter um emprego, condições melhores, para dar uma boa formação para minha filha. A gente fica mais forte e sente Deus na nossa vida com mais presença.

Márcia Trombeta, 53, aposentada, mãe desta autora que vos fala e faz-tudo

Eu mudei, na verdade, tudo mudou. Eu me tornei uma pessoa mais cautelosa, com medo do certo e do errado. Me tornei uma pessoa sem paciência e com a maior paciência do mundo. Me tornei uma pessoa frágil, mas mais forte e corajosa do que antes. Mudei em tudo, mas não perdi a minha essência, apenas a aprimorei com o super poder de mãe! A única certeza é que hoje sou bem melhor do que eu era antes!

Cibely Sonvesso, 31, Dra. em Ciências dos Materiais, mãe da Beatriz e da Isadora e faz-tudo

Para mim o que mais mudou foi a responsabilidade. Antes eu não precisava me preocupar com as coisas; eu não tinha tantos afazeres. Depois da maternidade, mudaram as minhas ideias, a maneira de pensar, o modo de agir, sempre pensando no melhor para o meu filho. Percebi que eu amadureci bastante. Agora consigo ver as coisas com mais clareza.

Marcela Schiavi, 36, pesquisadora, mãe do Nicolas e faz-tudo

Ah! A maternidade! Antes de ter a Laura, minha primeira filha, eu era a dona da razão. Jamais iria dar chupeta, mamadeira, entre outras coisas. E a Laura nasceu. Que ilusão a minha! A primeira coisa que eu aprendi foi amar, amar mesmo, sem medir esforços. Aprendi que dar chupeta e mamadeira não interfere em nada se você amar. Aprendi a doar mais, amar incondicionalmente (não fazia ideia do que era isso), a perdoar. Percebi que muitas coisas que antes importavam havia perdido o valor. Passei a valorizar o que realmente importa: a família. São tantas mudanças. Como eu cresci! Sou grata pela lição diária das minhas filhas comigo. Cada dia eu aprendo um pouco mais.

Fernanda Ferruzzi, 37, assistente social, mãe da Laura e da Lívia e faz-tudo

O que MAIS mudou em mim depois da maternidade foi a minha alegria de viver, o despertar para as pequenas coisas e a vontade de reequilibrar as minhas velhas escolhas.

Michelle Abreu, 38, engenheira, mãe da Clara e faz-tudo

Mudou a minha vontade de ser melhor, de cuidar mais da minha saúde, cuidar do planeta. Algumas ideias de como educar filhos, assim como métodos que eu achava super bacanas, hoje já não acho mais. Tem muita coisa que mudou dentro de mim, mas que fora continua igual porque ainda não encontrei tempo.

Denise Segala, 29, mãe do Daniel e faz-tudo

Para ver mais depoimentos, acesse a Parte 2.

Não importa a idade. Não importa a profissão. Nem o número de filhos. Eu posso me ver em cada um dos depoimentos acima. Ao ler cada mensagem, eu me emocionei e me vi ali representada. Ser mãe é conviver com sentimentos bipolares: é se sentir fraca e forte, se sentir confiante e insegura, se sentir cansada e desperta. Ser mãe é acertar e errar todos os dias. É se reinventar a cada manhã. É querer ser a melhor pessoa que conseguirmos ser. É seguir em frente por eles e para eles. A maternidade é como a nossa pele, não tem como desgrudá-la de nós. Como as mulheres ficam depois da maternidade? Diferentes. Felizes. Cansadas. Esperançosas. Agradecidas. E com um coração do tamanho do mundo!