Papo de mãe

A MULHER DEPOIS DA MATERNIDADE – PARTE II

Você descobre aqueles dois tracinhos no exame de farmácia e mal sabe que sua vida mudará para sempre. Mal sabe que depois de uns meses você conhecerá o maior amor da sua vida, aquela criaturinha que irá depender de você para tudo. Devido ao número de depoimentos que recebemos no último post, resolvemos fazer a parte II. Vem comigo!

Na foto vemos os pezinhos de um bebê segurados pelas mãos de sua mãe.
(Créditos da imagem: Bonnie Kittle)

A mulher já se torna mãe antes mesmo de descobrir a gravidez. É no nosso corpo que ocorrem as primeiras transformações – a menstruação que não vem, o seio dolorido, o humor oscilante, as náuseas matinais -, somos nós que sentimos os primeiros movimentos, os chutes madrugada adentro. Somos nós que sentimos o nosso corpo se preparando para o parto – primeiro, as contrações espaçadas, depois a dor aumentando, e por fim o ritmo perfeito. Somos nós que damos à luz a uma nova vida.

Uma vida nova. Um ser humano totalmente diferente de qualquer outro do mundo. Uma pessoa que carregará consigo os nossos genes. É a natureza nos tornando imortais com o passar das gerações. E cabe à nós, pais e mães, ensinarmos valores, discernimentos e moral.

Nossos filhos podem ter o mesmo formato dos nossos olhos, a mesma cor dos nossos cabelos, o mesmo formato dos nossos dedos dos pés. Nossos filhos podem ter até algumas manias iguais às nossas. Mas nunca eles serão iguais a nós. Eles nunca terão exatamente os mesmos gostos, as mesmas preferências, os mesmos sonhos.

Embora sejamos responsáveis por gerar, nutrir e educar, nunca seremos capazes de controlar qualquer criança que seja. E esse nem é o nosso papel. Nossa responsabilidade está exatamente no contrário. Assim como as aves não esperam ter os filhotes eternamente sob suas asas, é nossa função preparar os nossos filhos para voar.

Esse talvez seja o maior desafio da maternidade. Mas também a maior sabedoria que podemos tirar dela.

Do dia em que visualizamos as duas listras no exame de gravidez até o nosso último suspiro, nossos corações estarão sempre ligados aos dos nossos filhos. É por isso que eu considero a maternidade uma das experiências mais transformadoras na vida de uma mulher.

Como na Parte I deste post, aqui você também poderá encontrar relatos de mulheres guerreiras que tiraram um tempinho dos seus atribulados dias para nos trazer relatos cheios de amor. Muito obrigada à todas! <3
(Lembrando que todos os nomes são reais e todas as pessoas são identificadas com o Faz-tudo no final. Afinal, ser mãe é ser de tudo um pouco!)

A maternidade já de início me traduziu como fortaleza, algo que a gente já imagina mas só consegue entender quando vira mãe. Reconheci uma força inabalável e um poder de defesa que eu nunca tive em mim. E, com certeza, talvez a melhor de todas as mudanças: me fez uma pessoa melhor, que se preocupa não só com o mundo que vou deixar para meus filhos, mas também com os filhos que vou deixar para o mundo.

Aline Rotter, 31, fisioterapeuta, mãe da Margot e Faz-tudo

Sinceramente, eu nem lembro da minha vida antes de ser mãe; eu penso no passado e só vejo um vazio. Hoje a minha vida é cheia de alegria, não sei uma palavra para definir tudo o que eu sinto. Apesar de algumas dificuldades (para mim o mais difícil de ser mãe foi perder noites de sono), quando eu olho a minha filha cheia de saúde, não existe dificuldade que não possa ser superada. Cada sorriso, cada olhar… Tudo isso é gratificante.

Larissa Toniotti, 26, mãe da Helena e Faz-tudo

A chegada do meu primeiro filho, aos 20 anos, despertou em mim uma consciência maternal imediata, um conhecimento inato, uma ação natural e uma segurança de que eu sabia lidar com aquele pequeno ser de olhos tão calmos quanto profundos. Arthur me fez uma mulher segura e forte. Com meu segundo filho, aos 40 anos, compreendi que a vida é muito mais criativa do que podemos imaginar e que cada pessoa é verdadeiramente única. Enzo desconstruiu grande parte da minha rigidez, das minhas certezas e convicções. Jamais esquecerei que ao chegar em casa da maternidade me senti tão insegura, como uma mãe de primeira viagem. Ao olhar para ele, eu via a minha criança, com seu brilho e seus medos. Ele resgatou minha criança e com isso me deu a oportunidade de curá-la e de fazer as pazes com a minha infância. Meus filhos me fazem acreditar que o mundo pode ser um lugar lindo e que o amor é sempre o melhor caminho para essa construção.

Maria Rosa Trombetta, 48, contadora, mãe do Arthur e do Enzo e Faz-tudo

sabe o que a maternidade me mudou? a minha percepção de mim mesma. ela me ajudou a descobrir o quão forte eu poderia ser, e também o meu lado mais sensível. me percebi tão cansada, mas ao mesmo tempo tão disposta. realizada com o presente, mas muito preocupada com o futuro. a maternidade me fez dedicar um novo olhar para mim, e me mostrou que dentro da palavra mãe cabem muitas mulheres. e que sou todas elas, no papel que me fez vivenciar o maior amor do mundo.

Luciana Barros, 43, mãe do Samuel e da Cora e Faz-tudo

É difícil falar em palavras o que é ser mãe. É um sentimento que eu sempre tive em mim que era ser mãe de muitos filhos, porque eu queria dividir um pouco da minha felicidade com cada filho meu. Eu agora estou conseguindo ser uma mãe ainda mais completa, depois que eu me tornei avó. É muito mais gratificante, é a maior felicidade que a gente tem em vida poder ser vó. É poder ver em cada neto da gente um pedacinho daquele amor imenso que a gente tem pelos nossos filhos. Ver que cada coisinha que plantei no coração deles em poder ser mãe, eu ver que eles estão sendo excelentes pais. Eu posso ver que fiz o meu trabalho muito bem feito, porque além de ser a maior alegria da minha vida ser mãe, estou vendo que meus filhos são excelentes pais.

Rosa Maria Fagá, 62, aposentada, mãe da Patrícia, do Roberto e do Rodrigo e Faz-tudo

O que mudou em mim? Bom, primeiramente mudou o meu tempo livre… rs… sim, o que antes parecia um simples sentar no vaso para um longo xixi, hoje nem sei mais se faço xixi, as vezes seguro tanto que até passa a vontade! Rs Mas tirando isso, acho que mudou a minha maneira de ver as coisas e as pessoas, acho que fiquei mais humana, mais solidária e menos egoísta. Deixei de dar importância para as coisas pequenas e passei a me preocupar com o que realmente importa. Minha filha tem 1 ano e 3 meses e já me ensinou tudo isso. A maternidade me fez enxergar que nem tudo são flores, mas que no fim sempre tem uma mãozinha macia te procurando para um carinho e um abraço, e isso cura qualquer coisa de ruim no mundo! Ser mãe é assustador e ao mesmo tempo maravilhoso. Nada do que vivi antes da maternidade parece fazer sentido, tudo parecia sem cor e sem graça!

Renata Sana, 31, arquiteta, mãe da Lara e Faz-tudo

Sempre me senti muito sozinha. Nunca me imaginei mãe, a Duda transformou a minha vida, meus sonhos, minha forma de pensar, de agir… sem impulso, criar responsabilidades… Eu renasci, me perdi do mundo, dos amigos, e voltei a enxergar amor puro, ingênuo, risos por pouca coisa, gratidão e estado de plenitude por uma pessoinha, que mesmo se jogando no chão e fazendo muita birra, dá vontade de pegar no colo e acalmar. Quando meu marido foi embora, eu percebi o quanto mãe é tudo. Mãe que trabalha, que dá comida, colo, põe para dormir, vai no banheiro junto… Maternar não tem sido fácil, não está escrito em nenhum lugar e por mais que alguém dê palpites, é a troca somente da pessoinha com você. O meu eu.. sei lá onde eu deixei, Mas a mãe da Duda está em tempo integral, trabalha, pega a cria na escola e se vira nos 30. Não sei explicar o sentimento… gratidão, amor, plenitude!

Piera Lenise, 31, Biomédica, mãe da Duda e Faz-tudo

Depois que virei mãe aprendi a dar valor nas coisas simples da vida, como um abraço e um beijo inesperado de um filho, acordar com um sorriso falando “bom dia, mamãe”, ver seu filho feliz porque comprei um chocolate para ele, e tantas coisas que aprendo todos os dias com eles! Hoje a minha prioridade são eles, o meu tempo é dedicado à eles, mas sei que isso é uma fase, por isso não reclamo, pois sei que sentirei falta quando forem seguir o caminho deles. Assim é a vida!

Patrícia de Freitas, 38, Biomédica, mãe da Danilo e do Rafael e Faz-tudo

Que pergunta difícil! Tudo! Maturidade, muito amor, carinho, compreensão, tolerância, paciência… que mais… mudei meu jeito de pensar, a gente pensa mais nos filhos, mais no futuro e pensa em trabalhar mais para dar mais conforto para os filhos, né!

Helena Trombetta, 79, Aposentada, mãe do Juarez, da Márcia e da Rosa, avó da Isadora (euzinha!), Arthur, Júlio e Enzo e bisavó da Sofia e Faz-tudo

Ser mãe é ser tudo isso… é ser um pouco bipolar, um pouco estressada em alguns dias, um pouco zumbi em outros, um pouco mais melancólica, talvez. Ser mãe é se lembrar da criança que um dia fomos. É querer dar uma vida melhor aos nossos filhos do que a nossa foi um dia. É se cobrar, é se desesperar, é chorar um pouquinho no banheiro, é comer um chocolate escondido, é fazer cara de brava rindo por dentro. É tentar sumir algumas vezes, mas querer voltar no instante seguinte. Ser mãe é tanta coisa, é um papel tão incrivelmente louco que as vezes a gente não consegue nem explicar. Ser mãe é não dormir como antes, não comer como antes, não namorar como antes, não ter a disposição como antes. Mas é olhar para o seu filho todos os dias e pensar “como eu pude fazer uma pessoa tão linda e perfeita?”. Ser mãe é contar todos os dedinhos das mãos e dos pés quando o nosso bebê nasce, é pensar e preparar o enxoval com tanto carinho durante a gestação, é ter medo e coragem ao mesmo tempo. Ser mãe é querer que seu filho tenha saúde, tenha amigos, tenha educação, tenha alegria. Ser mãe é se entristecer profundamente quando vê alguma outra mãe em apuros. É como se cada vez que morre um filho, morresse um pouco de cada uma de nós. Ser mãe é ser porcelana e fortaleza. Ser mãe é, as vezes, ser a única pessoa na vida de um filho. Ser mãe é ter o maior amor do mundo dentro do peito, é estar um pouco mais próxima de Deus, é ter o coração fora do peito. É amar. É se doar. É se descobrir. É renunciar.

É…

… ser uma faz tudo feliz.