Bem estar

Redes sociais: amiga ou inimiga da felicidade?

Quase todo mundo tem uma rede social, seja uma conta no Facebook, Instagram, Twitter ou Whatsapp. Com elas podemos nos conectar com amigos e familiares distantes ou conhecer pessoas novas e interessantes. Mas até que ponto as redes sociais trazem benefícios ao nosso bem-estar? Vamos refletir juntos?

Na imagem vemos várias pessoas olhando seus celulares, alheias umas às outras.
(Créditos da imagem: Robin Worrrall)

Eu nunca vou esquecer da minha primeira rede social: o falecido Orkut. Ele revolucionou, de certa maneira, a forma com que eu me relacionava com as pessoas. De repente, eu estava online cercada pelos meus amigos e tendo a oportunidade de aumentar meu ciclo de amizade conhecendo os amigos dos amigos dos amigos. O Orkut me possibilitou até conhecer meu marido (é, não sei como contarei isso para a minha filha num futuro distante, assim espero). Eu me sentia quase uma super heroína com poderes especiais, porque sem precisar sair da minha caverna de adolescente, eu podia conhecer e conversar com pessoas do mundo todo.

Com o tempo vieram outras redes sociais e de comunicação, como o MSN (saudades…), Skype, Facebook, Instagram, Twitter, Linkedin, Youtube, Whatsapp e por aí vai. De acordo com a Revista Exame, só no Brasil, 62% (bem mais da metade, pasmem!) da população está ATIVA nas redes sociais (ativa, meu povo!). As redes sociais têm sido tão utilizadas que elas tiveram impacto até nas eleições presidenciais. Nesse contexto, a Revista Valor nos traz a incrível (e preocupante) pesquisa do IBGE que afirma que 94,2% dos brasileiros (j-e-s-u-s) usam a internet para trocar textos e imagens (isso explica muuuiiita coisa…).

É MUITA gente conectada! E isso que estamos falando só do Brasil…

Com tanta coisa sendo compartilhada na Internet, será que esse uso está sendo vantajoso ou desvantajoso para nós? No que diz respeito ao nosso bem-estar, ter 500 ou 600 amigos no Facebook, 300 ou 1.000 seguidores no Instagram e 30 grupos super ativos no Whatsapp, nos faz bem ou mais felizes? Sua felicidade e satisfação podem ser medidas pelo número de curtidas que as suas fotos recebem? Ter uma rede com 1.000 amigos virtuais te satisfaz e te deixa com a sensação de ser mais amado e mais querido? Receber 100 comentários recheados de elogios em uma selfie te faz ter mais auto-estima?

Se estamos cada vez mais conectados uns com os outros, porque também estamos cada vez mais depressivos?

As vezes, navegando nas minhas redes sociais eu fico me perguntando porque nós “temos” que postar tudo (ou quase tudo) que fazemos no nosso dia a dia para que todo mundo veja. Fico me perguntando porque estamos expondo tanto as nossas crianças, nossos animais, nossa família e nós mesmos. Fico tentando achar uma resposta no por que temos que mostrar ao mundo nossa felicidade de todo santo dia, se em alguns deles nem estamos verdadeiramente felizes. Fico tentando lembrar quando é que alguém falou “poste”, “poste”, “poste”. “Se comprou um carro novo, poste”. “Se está com o corpo sarado, mostre”. “Se acordou se sentindo bonito, compartilhe”. “Viagem? Poste!”. “Comida? Poste!”. “Piscina? Compartilhe”. “Joias? Ostente!”. E tudo isso para que? Ou melhor… para quem? Ou melhor ainda… por que?

Sim, eu tenho Facebook, Instagram, Whatsapp, Linkedin, Messenger e a parafernalha toda. Sim, eu posto foto de comida (daí surgiu esse cantinho). Eu faço stories fofos com a Sofia. Eu sigo algumas youtubers. Eu bato papo com meus amigos pelo zap. Eu gosto das redes sociais; eu fico feliz em reencontrar amigos de infância, de ver que uma colega de faculdade foi mãe, de ver as fotos do casamento daquele menino que estudou comigo na terceira série, de ver rostos de parentes e familiares que estão a quilômetros de mim. Eu acho útil estar em alguns grupos de Whatsapp, principalmente para saber o que está acontecendo no colégio da minha filha ou sobre como posso servir a minha vizinhança. Também gosto de receber umas piadas de vez em quando ou ver fotos fofas dos cachorrinhos das amigas. Eu gosto de estar conectada. Eu já pertenço a esse mundo. Mas resolvi não ser escrava dele.

Resolvi que não preciso rolar o scroll 20x na minha timeline. Percebi que número de curtidas, seguidores, comentários, etc. não significam absolutamente nada. Descobri que morro de preguiça de curtir fotos e de dar parabéns (desculpem, mas é verdade). Reparei ao longo dos anos que algumas pessoas são tão diferentes de mim que ok se eu apagá-las das minhas listas. Aprendi que um amigo não deixa de ser amigo se não me responder no mesmo dia uma mensagem do Whatsapp (mesmo que ele tenha lido) e que eu também não preciso responder sempre ou na hora. Resolvi que tem dia que simplesmente não quero estar disponível e é meu direito. Aprendi que a melhor declaração de amor é aquela feita olho no olho, sem plateia. Descobri que viajar sem wi-fi é maravilhoso e que desconectar as vezes é o melhor detox que a gente pode fazer por nós mesmos. Eu reparei que comentar por comentar é como dar bom dia no elevador: as vezes você faz educação, outras por afeição e outras por obrigação. Aprendi que ser querido independe de número de amigos; daí entra aquele velho bordão: tenha poucos, mas bons companheiros. Reparei que conteúdos mais sérios e inteligentes não são os mais bem aceitos. Mas também descobri que esses são os meus favoritos. Resolvi não expor tanto a minha filha nas redes, pois eu só tenho direito sobre a minha imagem.

Aprendi, resolvi, reparei, descobri tantas coisas depois de muitas tentativas do tipo acerto e erro. Como um ser humano cheio de erros e acertos eu já:

  • Senti uma invejona daquele amigo na praia enquanto eu estava com um coque no cabelo e uma vassoura na mão;
  • Me perguntei porque todo mundo estava feliz e eu não;
  • Fiquei triste quando, ao perder o emprego, vi que todos estavam com suas carreiras mega promissoras e garantidas;
  • Me perguntei porque todo mundo podia ser mãe menos eu (antes de engravidar);
  • Me senti fracassada quando vi fotos de crianças sorridentes e educadas enquanto a minha estava subindo pelas paredes; e por aí vai.

Até eu perceber que a vida mostrada nas redes sociais é coberta por filtros e edições. É muito raro a gente se deparar com conteúdos extremamente sinceros. E se você não consegue enxergar por trás das imagens perfeitamente editadas certamente você irá cair na armadilha de achar que todo mundo é ou está melhor que você.

Não caia nisso, meu amigo leitor. Se eu puder te dar uns conselhos, com licença:

Não acredite apenas nas fotos maravilhosas que são mostradas. Se elas não são ilusórias, muitas vezes também não são 100% real. Use suas redes com discernimento. Se afaste delas de vez em quando. Ensine seus filhos a não acreditarem em tudo que eles vêem. Seja grato à sua vida e não se compare com ninguém; o que vemos é apenas o produto final e não o processo para se chegar à ele. Não se exponha tanto. Passe mais tempo com quem você ama, sem celular, sem tablet, sem internet. E tenha em mente que certas coisas são mais valiosas na memória.

Na SUA memória.

Não na do seu celular.

Fontes consultadas

Revista Exame. 62% da População Brasileira está Ativa nas Redes Sociais. Disponível aqui.

Revista Valor. IBGE: 94,2% dos brasileiros usam internet para trocar textos e imagens. Disponível aqui.