Desenvolvimento infantil

As 10 formas mais simples e eficientes dos pais estabelecerem vínculo com o bebê

Na foto vemos a mãe de uma pessoa segurando a mão de um bebê recém-nascido.
O vínculo com o bebê possui diversas vantagens, tanto físicas quanto emocionais. (Imagem: Unsplash)

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, o vínculo materno com o bebê não é algo automático e imediato, mas sim uma ligação que criamos e estabelecemos com o passar do tempo.

Na gravidez já podemos começar a estabelecer um vínculo com os nossos filhos, ao conversarmos e cantarmos para ele e passarmos a mão na nossa barriga. Mas não é só a gestação que constrói o vínculo (haja visto as mães adotivas, que mesmo não tendo tido a fase gestacional, criam relações amorosas e concretas com seus bebês).

A importância do vínculo para o desenvolvimento infantil

O contato dos pais com os filhos favorece a formação de vínculos afetivos futuros, bem como a organização e a maturação da identidade da criança (Fonte: Fiocruz).

Além disso, é principalmente a partir da relação mãe-filho que, gradativamente, a mente do bebê vai se constituindo, permitindo que ele desenvolva habilidades e mecanismos para lidar com os desafios no futuro.

Ou seja, é através da presença, do respeito e do carinho dos pais que a criança estará apta a conquistar os mais variados tipos de habilidades, como a habilidade motora, cognitiva, social e afetiva emocional. É a partir do vínculo que o bebê aprende a confiar em si e nos outros e vai formando sua identidade e suas particularidades. (Fonte: Revista Saúde)

10 formas para estabelecer um vínculo saudável com seu bebê

Ok, agora que já sabemos a importância do vínculo para a saúde física e emocional dos nossos filhos, como fazer isso na prática?

1- Amamentação

Além de todas as vantagens conhecidas da amamentação, tanto para a mãe quanto para a criança, ela ainda ajuda na criação e manutenção do vínculo.

De acordo com Suely Amarante, o vínculo mãe-bebê é fortalecido no momento da amamentação, pois “o leite, o calor e o contato com o corpo da mãe, seu cheiro (que ele reconhece) e o som dos batimentos cardíacos o instigam. É assim que ele descobre o mundo e começa a ter consciência de si mesmo. O prazer proporcionado pelo ato de sugar e o amparo da mãe fazem com que o bebê se sinta acolhido e seguro“.

Mas, e se a mãe não pode ou não consegue amamentar?

Ainda de acordo com Suely, se o bebê for alimentado com afeto e amor (seja no seio ou na mamadeira), a experiência vai lhe transmitir segurança de qualquer forma. É claro que nesse caso perdem-se alguns benefícios da amamentação (principalmente no que diz respeito aos nutrientes do leite materno), mas não a oportunidade do estabelecimento do vínculo. Eu costumo dizer que mais vale uma mãe feliz e amável alimentando seu filho com a mamadeira, do que uma mãe infeliz e sem paciência alimentando seu filho no seio.

2- Colo

Aquela ideia antiga de que pegar o bebê no colo quando ele chora e deixar ele chorando até cansar para aprender a se controlar é algo super ultrapassado. Primeiro precisamos entender que o choro é a única forma que o bebê pequeno tem de se comunicar com o mundo, e de manifestar suas necessidades básicas, como fome, dor, desconforto e solidão. Você gostaria de ser deixado chorando em um quarto quando precisa de algo? Não né. Nem seu filho.

A Revista Crescer apresentou uma pesquisa feita pela Universidade de Notre Dame com 600 pessoas que afirma que adultos que receberam carinho e colo à vontade na primeira infância são menos ansiosos e têm uma saúde mental melhor.

Portanto, acalente seu filho, pegue-o no colo e não caia na armadilha que dando colo à ele ele ficará “mal acostumado”.

3- Converse com o seu filho e cante para ele

Pode parecer esquisito conversar e cantar para uma criança recém-nascida, né? Mas tenha certeza que seu filho irá adorar ouvir sua voz. Fale com ele com um tom de voz afetuoso (não precisa ser infantilizado, viu!), explique a ele/ela o que irão fazer.

“Filho (a), nós vamos trocar a sua fraldinha. Vamos tirar a calça? Muito bem! Agora a mamãe /papai vai limpar o seu bumbum. Isso, olha só, que delícia esse algodão morninho. Ele é super macio. Agora vamos passar a pomada, para não dar dodói. Pronto. Agora é só colocar a calça de volta. Olha só! Você está limpinho de novo!”. Falar com o bebê o acalma e, quando ele já estiver maior, descrever os procedimentos e os objetos é ótimo para formar o seu vocabulário.

Enquanto o embala para dormir, experimente cantar para ele. Vale qualquer tipo de música, desde às infantis até aquelas que você curte. E não tenha vergonha: seu filho nunca te achará desafinado (a não ser quando ele já for adolescente hehe).

4- Fale que o ama todos os dias

Pode parecer algo trivial demais, mas muitos pais, na correria do dia-a-dia, esquecem de expressar o seu amor pelos seus filhos. Além disso, para muitas pessoas, falar “eu te amo” não é tão simples assim.

Independente de qual seja o seu caso, se esforce. Fale que o ama quando chegar em casa, ou quando sair. Mostre, por meio de palavras, o quanto ele é importante para você. Ele pode até não entender o que você diz, mas entenderá o seu tom de voz.

5- Faça massagem no seu bebê

Quem não aprecia uma massagem relaxante? Todo mundo, até os bebês!

A massagem, além de relaxar, proporciona contato físico de amor entre a criança e os pais. Crianças que recebem toque físico com constância tendem a se tornarem mais receptivos ao toque em geral e a terem mais facilidade para se relacionar.

Existe uma massagem específica para bebês, que auxilia até com as cólicas: a shantala. Nesse link você encontrará um vídeo com o passo a passo da shantala. Experimente, vocês dois vão adorar!

6- Aproveite a hora do banho e a troca de fraldas

Aproveite a hora do banho e as trocas de fraldas para estabelecer o vínculo com o seu bebê. Não faça dessas horas algo puramente mecânico. Aproveite esses momentos para cantar, brincar ou conversar com o seu filho.

Uma dica: coloque uma música agradável na hora do banho e aproveite o momento para massagear o corpinho do bebê. Você pode até ir narrando: “vamos lavar o seu cabelo, olha que cabelo mais comprido que você tem! agora vamos lavar o seu pescoço, o seu bracinho, a sua mãozinha. Você usa as mãos para segurar o cabelo da mamãe, lembra?! E para pegar seus brinquedinhos. Olha os seus dedinhos, compridos e perfeitos para eu beijar (e de um beijo)…”.

Mantenha o tom de voz sereno mesmo se o bebê estiver chorando. Explique a ele que você sabe que ele está com frio/fome/cansado, mas que tomar banho é muito importante para mantê-lo saudável. É óbvio que ele não vai entender tudo, mas faça disso um hábito: hoje, pequeninho, ele irá se beneficiar do seu tom de voz; amanhã, maiorzinho, ele irá aprender sobre higiene, sobre o próprio corpo e sobre como é importante se lavar. Faça o mesmo com as trocas de fraldas.

7- Seja uma mãe e um pai presente

Não basta pegar no colo, amamentar, dar banho e trocar fralda se você não estiver ali, presente para o seu bebê. Aproveite o período de licença maternidade para estreitar o vínculo com o seu filho. Os pais podem aproveitar os fins de semana e as noites para isso (além de ser ótimo para as mães poderem descansar um pouco).

Estejam presentes de verdade, sem TV ligada o tempo todo, sem celular para distrair. Tenha um tempo de qualidade com os seus pequenos.

8- Leia para o seu filho

Desde que idade? Desde sempre! Talvez você já tenha percebido como é importante falar com as crianças né. Isso já foi falado muito aqui e será falado novamente. Leia ou invente histórias para seus filhos, mesmo que eles sejam recém-nascidos. No caso de bebês pequenininhos, invista em livros com imagens em preto e branco, pois o contraste das cores chama a atenção dos bebês. Se você preferir, você pode orar com os bebês também.

Essa rotina pode durar muitos e muitos anos e com certeza será um tempo muito gostoso que vocês passarão juntos.

9- Contato olho a olho

Sempre que falar com o seu filho, olhe para os olhos dele. O contato olho a olho é importante para as crianças pequenas, pois ensina e mostra à elas que elas estão sendo vistas e ouvidas.

Aproveite, também, para sorrir quando seu filho olhar para você. Não precisa virar um robô sorridente, é claro. Mas se estiver feliz, esboce um sorriso, afinal, quem não gosta de receber um?

10- Aceite ajuda!

De nada adiantam essas dicas se você estiver extremamente cansada ou deprimida. Ter um bebê é um momento cheio de altos e baixos, cheio de alegrias e preocupações. Ter uma rede de apoio que te dê suporte para passar por esse período é essencial para que você tenha energia e humor para criar e manter o vínculo com o seu filho.

Por isso, deixe o orgulho de lado e aceite ajuda quando precisar. E o mais importante: PEÇA ajuda também. Deixe as tarefas de casa para seus ajudantes e se concentre em você e em seu bebê.

Muitas outras coisas influenciam na criação do vínculo com os bebês. Mas o mais importante é deixar aqui uma mensagem positiva: nunca é tarde para começar! Não importa se você é uma mãe adotiva, se você sofreu uma forte depressão pós-parto ou se você precisou ficar longe do seu bebê após o nascimento. Nunca é tarde para investir em uma relação afetiva com uma criança. Lembre-se, sempre, que o amor supera qualquer distância e estabelece qualquer vínculo!

Um abraço!