Desenvolvimento infantil,  Gravidez

Guia Completo de Amamentação

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Tipos de amamentação, benefícios, 35 dúvidas respondidas, principais desafios deste período, profissionais e grupos de apoio e tudo que você precisa saber sobre amamentação reunidos em um só lugar!

Antes de ser mãe eu costumava pensar na amamentação como sendo algo natural, fácil e instintivo. Minha filha ou filho iria nascer, viria para os meus braços e logo pegaria o meu peito e, então, eu o amamentaria durante uns dois anos, mais ou menos. Que inocência!

Embora minha filha tenha vindo para os meus braços tão logo eu e ela pudemos, e embora ela tenha tido uma pega maravilhosa, a coisa toda não foi exatamente fácil ou natural como eu pensara.

Um pouco da minha história

Eu consegui amamentar minha filha exclusivamente de leite materno apenas 17 dias e consegui seguir com o aleitamento materno + fórmula até os 6 meses. Você até pode achar pouco, mas para mim foi um grande, suado e inesperado sucesso.

Em 2008 eu fui submetida à uma cirurgia de mamoplastia de redução mamária (eu precisei diminuir os seios principalmente por conta de problemas posturais e menos, mas também importante, por uma questão estética). Quem passa por uma mamoplastia redutora pode ter poucos ductos mamários funcionando [1]. Em outras palavras, você pode até produzir leite normalmente (como foi o meu caso), mas o leite não tem vazão, ou seja, não tem por onde sair porque os canais podem ter sido lesionados ou retirados durante a cirurgia.

Quando eu fiz o procedimento em questão, eu recebi do médico uma resposta bastante animadora: a cirurgia não dificultaria uma futura amamentação e ele faria o possível para preservar os ductos. Ok! Afinal, aos 18 anos de idade a gente não quer saber muito sobre esse assunto, né! Mas aos 28, grávida e lendo ferozmente sobre tudo que abordava a temática “bebês”, eu fiquei MUITO FRUSTRADA ao me deparar com os estudos que relacionavam mamoplastia x amamentar.

Até que eu achei um pediatra iluminado que me deu todo o respaldo (e esperança, e perseverança, e segurança) durante esses seis meses. E por que eu parei? Imagine você uma criança com fome – muita fome! – sugando loucamente um mamilo que não sai leite o suficiente. A saída para um cérebro ainda em amadurecimento é: morder! Sofia me mordeu em uma bela manhã, mas eu, perseverante e otimista, não me deixei abater. Até que eu vi sangue na boquinha dela e um pedaço do mamilo literalmente caindo do meu peito. É, foi bastante assustador e eu me arrepio só de lembrar. Foi então que tudo inflamou, virou uma danada de uma mastite e eu tive que deixar aquele peito se recuperar, mas então ele secou. Não demorou muito para o outro secar também. E assim acabou a minha história com a amamentação – experiência que eu AMEI, devo admitir.

Foram 6 meses, mas eu amamentei. Nestes 6 meses, eu dei toda e qualquer gota de leite que eu produzi. E me orgulho muito disso! Se você está passando por essa fase, não se deixe abater: é PUNK para muitas mulheres! Dói sim, dá medo sim, dá cansaço sim, dá uma baita insegurança sim, mas seu bebê não mamará para sempre. E se você conseguir sair dessa fase com o coração em paz e certa que você deu tudo o que podia dar, você terá tido sucesso também! E caso você tenha tido uma história incrível com a amamentação, fico feliz por você e, minha amiga, se considere uma privilegiada!

Tipos de amamentação

De acordo com o Ministério da Saúde [2], existem 5 tipos de aleitamento materno:

1. Aleitamento Materno Exclusivo

Se dá quando a criança recebe somente leite materno (direto do seio ou ordenhado), sem outros líquidos (como água ou chá) e sólidos, com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas, sais de reidratação, suplementos ou medicamentos.

2. Aleitamento Materno Predominante

Se dá quando a criança recebe, além do leite materno (direto da mama ou ordenhado), água ou bebidas à base de água (água adocicada, chás e sucos).

3. Aleitamento Materno

Se dá quando a criança recebe leite materno (direto da mama ou ordenhado), independente de receber ou não outros alimentos.

4. Aleitamento Materno Complementado

Se dá quando a criança recebe, além do leite materno (da mama ou ordenhado), qualquer alimento sólido ou semissólido com a finalidade de complementá-lo e não de substituí-lo.

5. Aleitamento Materno Misto ou Parcial

Se dá quando a criança recebe leite materno (da mama ou ordenhado) e outros tipos de leite. Aqui podemos considerar as crianças que são alimentadas de leite materno + fórmula infantil apropriada.

Benefícios da amamentação para a mãe e para o bebê [2]

A amamentação materna traz diversos benefícios não só para o bebê, mas para a mãe também. Vamos à eles:

Benefícios para o bebê

  • Evita mortes infantis: de acordo com estudos [6], estima-se que o aleitamento materno pode evitar cerca de 13% das mortes em crianças menores de 5 anos devido a causas preveníveis. Ou seja, pequenas (mas letais para crianças) doenças e infecções podem ser evitadas graças aos inúmeros fatores existentes no leite materno.
  • Evita diarreia e, consequentemente, desidratação: há fortes evidências que o leite materno exclusivo protege contra diarreia, principalmente entre as crianças das classes mais baixas. De acordo com uma pesquisa [7], crianças não amamentadas pela mãe têm um risco três vezes maior de desidratarem e de morrerem por diarreia se comparadas às crianças que tomam leite materno exclusivo.
  • Evita infecções respiratórias: assim como ocorre com a diarreia, a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida diminui as chances da criança apresentar infecções respiratórias, como bronquiolite e pneumonia [2].
  • Evita otites (dores de ouvido): o aleitamento materno também ajuda na prevenção de otites (as famosas infecções de ouvido). Segundo uma pesquisa [8], estima-se uma redução de 50% de episódios de otite média aguda em crianças alimentadas exclusivamente por leite materno quando comparadas com as que mamam outros tipos de leite.
  • Diminui o risco de alergias: estudos [9] mostram que a amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida diminui o risco de alergia à proteína do leite de vaca (APLV), de dermatite atópica, asma, dentre outros.
  • Diminui o risco de hipertensão (pressão alta), colesterol alto e diabetes no futuro: há evidências [10] que crianças amamentadas de leite materno apresentam pressão mais baixa, menores níveis de colesterol total e menos risco de apresentar diabetes do tipo 2 quando adultas.
  • Reduz a chance de obesidade infantil e no futuro: de acordo com a OMS [11], crianças amamentadas com leite materno têm uma chance 22% menor de apresentar sobrepeso/obesidade na infância ou quando adultas.
  • Melhor nutrição: o leite materno contém todos os nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento das crianças, além de ser melhor digerido quando comparado aos leites de outras espécies animais. Além disso, o leite materno é capaz de suprir sozinho as necessidades nutricionais do bebê nos primeiros 6 meses de vida. [2]
  • Melhor desenvolvimento da cavidade bucal: a sucção da mama é muito importante para o desenvolvimento adequado da cavidade bucal da criança, o que propicia uma melhor conformação do palato duro, essencial para o alinhamento correto dos dentes. [2]
  • Barato e prático: além de ser “de graça”, o leite materno é mais prático, pois evita diversos procedimentos que o leite industrializado requer: esterilizar mamadeiras, deixar o leite em temperatura ideal, transportar o leite em pó e os utensílios quando sair, etc.

Benefícios para a mãe

  • Proteção contra o câncer de mama: estudos [12] estimam que o risco de ter câncer de mama diminui 4,3% a cada 12 meses de amamentação. E essa proteção não depende da idade materna e/ou etnia.
  • Proteção contra diabetes tipo 2: assim como com a criança, a mãe também recebe a vantagem do aleitamento materno em relação ao desenvolvimento de diabetes do tipo 2 (redução de 15% para cada ano de lactação). Isso porque ocorre uma melhor homeostase (forma como nosso organismo trabalha para manter nosso meio interno em equilíbrio) da glicose em mulheres que amamentam. [13]
  • Outras vantagens para as mamães: tem sido atribuído ao aleitamento materno proteção contra as seguintes doenças na mulher que amamenta: câncer de ovário, câncer de colo de útero; hipercolesterolemia (colesterol ruim alto), hipertensão e doença coronariana; obesidade; doença metabólica; osteoporose e fratura de quadril; artrite reumatoide; depressão pós-parto; e diminuição do risco de recaída de esclerose múltipla pós-parto [2].

Além de todas as vantagens já descritas anteriormente existe uma que é benéfica tanto para o bebê quanto para a mãe: a criação e estreitamento do vínculo afetivo entre mãe e filho. A amamentação é uma forma muito especial e única de comunicação entre nós e os nossos filhos e uma oportunidade para a criança aprender desde cedo a se comunicar com afeto e confiança. Quer saber mais sobre a importância do vínculo para o desenvolvimento dos bebês? Clique aqui.

Dúvidas mais frequentes e respostas

(Dúvida 1) O que é amamentação em livre demanda?

Muitas mães de primeira viagem têm dúvidas sobre como funciona a amamentação em livre demanda (termo novo e super popular), sendo que o aconselhado é que o bebê mame de 3 em 3 horas.

Primeiro, vamos ao conceito do que é amamentação em livre demanda: basicamente, é amamentar sempre que a criança solicitar, ou seja, não é preciso esperar determinado horário para dar o peito [3].

Uma das vantagens da amamentação por livre demanda, além de evitar os choros de fome, é que os especialistas dizem que o bebê tende a perder menos peso logo depois do nascimento. Outra vantagem é que a livre mamada também diminui as chances da mãe sofrer com o endurecimento da mama por conta do leite “congestionado”.

Até aqui, tudo bem, certo? Mas e quando o pediatra indica que o aleitamento deve ser oferecido de 3 em 3 horas no mínimo? É para seguir a regra da livre demanda ou ficar de olho no relógio?

A resposta é: depende (como tudo na maternidade!). Se o bebê está ganhando peso suficiente, se a mãe não sente dor com as mamas cheias de leite e se o bebê nasceu à termo (e não prematuro), geralmente não tem problema se a criança pegar no sono e dormir umas 4 ou 5 horas seguidas. Porém, se o seu filho apresentar ganho de peso insuficiente, se ele for prematuro ou se você sentir incômodo nos seios, o indicado é utilizar a regrinha das 3 horas, pelo menos até os dois ou três primeiros meses. Aqui eu amamentava em livre demanda durante o dia e, como eu tinha uma linda dorminhoca, eu amamentava de 3 em 3 horas durante a noite, pois Sofia sempre foi uma garotinha com pouco peso.

Mas, atenção: nenhum blog, nenhum vídeo no Youtube e nenhuma consultora substitui uma conversa franca e honesta com o pediatra. Se você tem qualquer dúvida, recorra à ele. Afinal, os pediatras estão aí para isso!

(Dúvida 2) Como saber se eu estou tendo leite suficiente?

É claro que todas as mães gostariam de ter um medidor de leite materno acoplado ao seio para saber se está produzindo uma quantidade adequada de leite. Mas como a tecnologia não chegou nesse nível ainda, alguns indicativos podem apontar se o leite materno está sendo suficiente ou não. Vamos à eles:

1. Fraldas molhadas de xixi e sujas de cocô

De acordo com a Coordenadora Miriam Santos, do Programa Bancos de Leite do Distrito Federal (em vídeo do Ministério da Saúde no Youtube) [4], um indicativo de que o bebê está mamando o suficiente é quando ele apresenta diurese (produção de xixi pelo rim) pelo menos 6 vezes ao dia.

Algumas fraldinhas sujas de cocô (amarelo-mostarda a partir do quarto dia) também é um bom indicativo que a criança está recebendo leite suficiente. Não existe um número exato de cocô. Mas se você nota que a fralda fica limpa durante um longo período do dia ou se o cocô for em formato de bolinhas pequenas e escuras, é melhor conversar com o pediatra.

2. Ganho de peso adequado/satisfatório

O ganho de peso satisfatório e adequado é o principal fator para analisar se a criança está mamando o suficiente ou não. É normal que nos primeiros dias o recém-nascido perca de 5 a 7% do peso que tinha ao nascer (alguns perdem até 10%). No entanto, a partir dos próximos dias a tendência é que ele ganhe de 20 a 30 g por dia, voltando ao peso que tinha ao nascer por volta do 10º ao 14º dia de vida.

Como não temos uma balança precisa em casa, é importante que nós façamos todas as consultas com o pediatra, seguindo a orientação que ele passar. Alguns pediatras pedem que os pais levem a criança após 15 dias para pesar; outros pedem que a visita ocorra depois de um mês. Por isso, não falte às consultas: elas são importantes para avaliar se a amamentação materna está dando conta ou se a criança precisará de um complemento.

3. Sinais de desidratação

Se o bebê apresentar urina escura, lábios e pele extremamente secos ou se estiver letárgico e não quiser mamar, ele pode estar desidratado. Neste caso, procure um médico imediatamente.

4. Choro frequente e inquietação incessante

O choro é a única forma que os bebês têm de nos comunicar que algo não vai bem. Os bebês choram porque a fralda está suja, porque quer consolo e atenção, por tédio ou por fome. Se você está oferecendo o peito em livre demanda e o bebê não se satisfaz depois das mamadas (ou não se mostra relaxado), pode ser que você esteja tendo pouco leite. Uma dica é retirar um pouco de leite e observar. Se você não conseguir ordenhar com as mãos (eu nunca consegui) ou com produtos próprios para isso (esses eu consegui), procure o pediatra ou um profissional especializado.

Mas atenção: o choro depois das mamadas pode indicar outras coisas e não, necessariamente, apenas fome. O bebê pode querer ficar no peito para se sentir seguro e confortável, ou o choro pós-mamá pode vir por conta de um refluxo oculto. Por isso é importante retirar todas as dúvidas com o pediatra.

(Dúvida 3) Meu filho parece estar sempre com fome. É normal?

Sim! Bebês recém-nascidos possuem um estômago muito pequeno. Por isso, bem provavelmente ele está sempre com fome mesmo, até porque o leite materno é de fácil e rápida digestão.

A maioria dos recém-nascidos costumam mamar de 8 a 12 vezes por dia (sim, é bastante! hehe) [5]. Mas, lembre-se: os bebês não sugam o peito apenas para se alimentar: estar no peito da mãe, sentindo o seu calor e seu aconchego é uma forma que eles encontram de se sentirem mais seguros e protegidos.

(Dúvida 4) Como saber se eu não tenho o leite fraco?

O leite materno NUNCA SERÁ FRACO. Lembre-se sempre, independente dos “conselhos” que você receber de pessoas mal informadas, que o leite materno é um alimento completo produzido pelo organismo da mãe especificamente para a idade e para as necessidades do bebê.

Digam o que quiserem, você e o seu leite são PODEROSOS, mulher!

(Dúvida 5) Chupetas e mamadeiras podem prejudicar a amamentação?

Em alguns casos, sim.

Alguns estudos [2] apontam que o uso de mamadeiras e chupetas está relacionado com o desmame precoce. Isso ocorre por conta da confusão de bicos que pode acontecer com o bebê. No caso das mamadeiras, especificamente, a forma, a força e a vazão dos líquidos é muito mais facilitada. Nos casos de bebês que precisam fazer uso das mamadeiras, é comum o bebê começar a mamar no peito e, depois de alguns segundos, largar a mama e começar a chorar.

Portanto, uma dica: a menos que você realmente precise oferecer ao seu bebê fórmula, não utilize mamadeira para água ou chás antes dos seis primeiros meses. Se você tiver que complementar com fórmula experimente comprar um bico que se assemelha ao peito materno e que possui uma redução do fluxo de leite.

Além de interferir no desmame precoce, o uso de chupeta está associado à maior ocorrência de candidíase oral (sapinho), de otite média e de alterações do palato. Portanto, se você optar por dar chupeta para o seu bebê, certifique-se que ele não passa muito tempo com ela e lembre-se sempre de higienizá-la corretamente.

(Dúvida 6) Estou grávida novamente. Posso continuar amamentando?

Sim, é possível continuar amamentando mesmo estando grávida, desde que a gestação esteja avançando sem nenhuma intercorrência (na ameaça de parto prematuro é aconselhado interromper a lactação). No entanto, alguns estudos [2] apontam que não é raro as crianças pararem a amamentação espontaneamente quando a mãe engravida. O desmame nesse caso pode ocorrer pela diminuição do leite materno, alteração do gosto, perda de espaço no colo conforme a barriga cresce ou até mesmo pela sensibilidade dos mamilos durante a gravidez.

(Dúvida 7) Acabei de ter um bebê, mas ainda amamento o mais velho. Quais cuidados devo tomar?

Se a mãe optar por continuar amamentando os dois filhos de idades diferentes, o cuidado que ela deve tomar é de amamentar sempre o mais novo primeiro, deixando a mama esgotar o leite. Outro cuidado importante é de higienizar os seios entre as mamadas, para que um dos filhos não seja contaminado por qualquer problema do outro.

Por estar amamentando duas crianças, também é necessário prestar atenção à quantidade de água ingerida pela mãe, assim como à qualidade de sua alimentação.

(Dúvida 8) Estou grávida de gêmeos. Como funciona a amamentação com dois bebês?

É completamente possível a amamentação em casos de gemelaridade, uma vez que a mãe é capaz de responder às demandas nutricionais das duas crianças. O maior obstáculo aqui não está propriamente na produção de leite materno, mas sim no cansaço e indisponibilidade da mulher.

Por isso, no caso de gêmeos é fundamental que a mãe de parto múltiplo tenha suporte adicional, tanto física quanto emocionalmente.

A mãe pode iniciar o aleitamento materno de gêmeos logo após o nascimento, sempre que possível. Se um ou mais bebês não está em condições de ser amamentado, a mulher pode iniciar a extração manual ou com bomba de sucção o mais precoce possível. [2]

Algumas estratégias podem ser utilizadas para a amamentação de gêmeos, como: alternância de bebês e mamas em cada mamada, alternância de bebês e mamas a cada 24 horas, escolha de uma mama específica para cada bebê ou a amamentação simultânea.

(Dúvida 9) Em quais casos a mãe não deve amamentar?

São pouquíssimos os casos nos quais a mãe não pode amamentar. Mas algumas situações mais comuns são:

  • Mães HIV positivas.
  • Mães infectadas pelo HTLV1 e HTLV2 (esses vírus são “primos” do HIV).
  • Mães que fazem uso de medicamentos não recomendados durante a lactação, como antineoplásicos e radiofármacos. Aliás, sempre pergunte ao seu médico se o remédio (por mais simples que seja o seu problema) pode ser tomado durante a amamentação.
  • Mães de crianças portadoras de galactosemia (doença rara em que a criança não pode ingerir leite humano ou qualquer outro que contenha lactose).

Já a interrupção temporária da amamentação pode ser indicada nos seguintes casos:

  • Infecção por herpes, quando há feridas localizadas na pele da mama.
  • Mãe com varicela.
  • Mãe com doença de Chagas.
  • Mães dependentes de álcool e/ou drogas.

(Dúvida 10) Existe algum alimento não recomendado para quem amamenta?

O ideal para a fase de amamentação é que a mãe se alimente de forma correta, ingerindo refeições balanceadas ao longo do dia e bebendo bastanteeee água (o ideal é 3 litros por dia).

De acordo com o pediatra Luciano Borges, vice-presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, em entrevista para a revista Bebê da editora Abril [14], “a princípio, não há alimento proibido para a nutriz – nome dado à mãe que amamenta. Se houver alguma reação negativa do bebê em aleitamento materno exclusivo, aí, sim, pode-se suspeitar de sensibilidade ou alergia alimentar a alguma substância que a mulher tenha ingerido“.

Os maiores “vilões” neste caso são:  leite de vaca, castanhas (como o amendoim), frutos do mar e carne de porco. Mas não precisa sair por aí negando esses alimentos: é necessário que o médico estabeleça uma ligação entre o alimento X e algum problema com o bebê.

Em relação às bebidas, o álcool deve ser evitado e o café deve ser consumido com moderação (no máximo duas xícaras pequenas por dia).

(Dúvida 11) Posso fazer dieta para perder os quilos extras da gestação enquanto amamento?

Cortar calorias durante a amamentação pode ser perigoso, pois o organismo da mãe precisa de muita energia para produzir o leite materno. Portanto, dietas rigorosas e restritivas nesta fase não é uma boa ideia.

Ao invés disso, procure um profissional que te ajude a manter uma dieta equilibrada e adequada para esse período. Você também pode voltar a fazer atividades físicas depois de um tempo (converse com o seu obstetra sobre isso). Com o passar dos dias, seu corpo voltará ao peso de antes do bebê (é possível, eu juro!).

(Dúvida 12) Posso tomar remédios enquanto amamento?

A automedicação é algo contraindicado em qualquer período da vida. Portanto, antes de tomar qualquer medicamento, consulte seu médico, principalmente na gestação e no período de amamentação.

(Dúvida 13) Quais os métodos contraceptivos que posso adotar depois do resguardo e enquanto eu amamento?

Após o resguardo (40 dias pós-parto), você pode fazer uso de preservativos (camisinha), pílulas anticoncepcionais que não contêm estrogênio em sua composição (converse com seu ginecologista sobre as opções), anticoncepcionais injetáveis, subcutâneos ou DIU (este deve ser colocado 50 ou 60 dias após o parto). [14]

(Dúvida 14) Eu posso engravidar enquanto amamento?

Sim!!! Eu conheço muitas pessoas que engravidaram nesse período! Então nada de cair no conto de que amamentar é um anticoncepcional natural, hein?

(Dúvida 15) Quais são as melhores posições para amamentar?

Não existem posições mais ou menos indicadas para amamentar. O que você deve ter em mente é que o bebê esteja abocanhando toda a aréola para não machucar os seus seios e para a amamentação ser mais eficiente. Eu, particularmente, utilizava a almofada de amamentação e me sentava confortavelmente apoiando minha filha na almofada. Outra posição que eu gostava bastante, mas ela já tinha por volta de uns 3 meses, era deitada de lado, com ela na minha frente.

A única coisa que eu posso te falar aqui é: cuidado com a sua postura. Ficar torta demais, tensa demais ou em uma posição desconfortável pode trazer diversos incômodos posturais no pescoço, costas e ombros.

(Dúvida 16) Eu tenho muito leite. Como posso fazer para doar?

Neste site você terá uma lista completa dos Bancos de Leite distribuídos pelo Brasil, assim você poderá entrar em contato com o banco da sua cidade ou região. A doação de leite materno é muito bem vinda! Um pote de leite materno de 300 ml pode alimentar até 10 recém-nascidos. Dependendo do prematuro, 1 ml já é suficiente para nutri-lo a cada vez que ele for alimentado.

Qualquer nutriz é uma possível doadora de leite humano. Basta ser saudável e não tomar medicamentos que interfiram na amamentação. Procure um Banco de Leite Humano no site acima ou ligue 136, a Ouvidoria do SUS, para se informar sobre como fazer a doação. Neste link você encontra algumas orientações de como coletar, armazenar e doar.

(Dúvida 17) Posso amamentar um outro bebê, sem ser o meu filho (a)?

A amamentação cruzada é algo CONTRAINDICADO, mesmo que o outro bebê seja alguém da sua família, como um sobrinho ou irmão. Isso porque esta prática oferece risco de transmissão de doenças infectocontagiosas, como HIV, tanto da mulher para a criança como da criança para a mãe.

Se você possui bastante leite, procure por um Banco de Leite na sua região (link na pergunta acima) e doe. Lembre-se que, ao contrário da amamentação cruzada, no Banco de Leite Humano o leite materno é pasteurizado, evitando contaminações e sendo seguro para as crianças e para as mães.

(Dúvida 18) Seios pequenos atrapalham a amamentação?

Não! Isso é um mito! TODAS as mulheres, independente do tamanho dos seios, podem amamentar normalmente.

(Dúvida 19) Fiquei doente. Devo interromper a amamentação?

A maior parte das doenças maternas (incluindo virose e gripes) não impede a amamentação. No caso de você estar doente, procure ou o seu obstetra ou o pediatra do seu filho e se certifique que o remédio não fará mal ao bebê.

A amamentação só é contraindicada para alguns tipos de doenças (ver Dúvida 9).

(Dúvida 20) Como saber se o choro do meu filho é de fome?

Além do choro, o bebê dá alguns sinais que está com fome, então é interessante ficar atenta à eles: procura o seio com os olhos, abre a boca em várias direções, faz movimentos contínuos com a língua, aperta as sobrancelhas e suga com animação a mão ou os dedinhos.

Alguns sites trazem o que cada ruído de som representa (se é fome, cólica, etc), mas eu confesso que nunca consegui identificar dessa forma!

(Dúvida 21) Meu filho não arrota sempre. É normal?

Sim, super normal! O arroto nada mais é do que a expulsão de ar, então ele dependerá da quantidade de ar ingerida na hora da amamentação. Se a pega do bebê estiver correta, ele certamente irá engolir menos ar e não precisará, necessariamente, arrotar.

Se quando colocado na posição vertical por 10 minutos ele não arrotar, relaxe, está tudo certo!

(Dúvida 22) Vou retornar ao trabalho. Devo parar de amamentar?

Não! Você sabia que a Lei brasileira garante à mãe o direito de amamentar a criança? Se você não sabia, dá uma checada nisso! Muitas mães negociam com seus chefes horários flexíveis para poderem dar uma “escapada” para amamentarem seus pequenos. De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a lactante tem direito a dois intervalos de meia hora cada para amamentar, até que a criança complete 6 meses de idade. Claro que não é o ideal, mas é melhor do que nada, certo? 

Outra opção para continuar com a amamentação exclusiva é a ordenha do leite materno. Nesse caso, vale a pena começar o estoque cerca de 15 dias antes do término da licença-maternidade. A ordenha pode ser feita manualmente ou com a ajuda de uma bombinha. Depois de retirar o leite, feche bem o recipiente (limpo e esterilizado), anote no frasco a data e a hora da coleta e guarde o conteúdo na geladeira por 24 horas ou no freezer por até 15 dias. Para descongelar, retire o frasco com antecedência da geladeira e espere o processo natural, ou coloque em “banho maria” se ele estava no congelador.

(Dúvida 23) Sei que pode parecer estranho perguntar isso, mas meu peito pode “cair” depois da amamentação?

Nãoooooooo, isso é MITO!!!! Os seios “caírem” ou ficarem flácidos é um processo natural de toda mulher (infelizmente existe o efeito da gravidade né minha gente!) e tem muito mais a ver com genética e efeito sanfona (engorda/emagrece/engorda/emagrece) do que com a amamentação.

Portanto, relaxe e aposte em um sutiã firme, com uma sustentação adequada para que você fique confortável nesse período. Aliás, existem sutiãs maravilhosos de amamentação (yes!!!!).

(Dúvida 24) E se eu não quiser amamentar?

Se você leu e se informou sobre todos os benefícios da amamentação, mas ainda assim não tem vontade de amamentar, esse é um direito seu e merece ser respeitado. Amamentação é ótimo, mas quando isso se torna motivo de frustração, tristeza e descontentamento da mulher, a história é outra.

Infelizmente vivemos tempos em que tudo é imposto a nós. Se você está decidida e certa de que isso será o melhor, converse com o pediatra do seu filho e vejam juntos a melhor forma de nutri-lo, respeitando sua vontade e as necessidades da criança, é claro.

(Dúvida 25) Meu marido quer que eu pare de amamentar, mas eu não quero parar. O que eu faço?

Muitos homens, infelizmente, acham que os seios da mulher foram feitos apenas para servir de objeto de sensualização. Alguns chegam a pedir para as esposas pararem de amamentar, pois sentem que a intimidade não é a mesma. O primeiro passo aqui é conversar francamente com ele e expor os benefícios mútuos da amamentação.

Se mesmo assim ele continuar insistindo, faça valer a regra do “meu corpo, minhas regras”. Se você deseja continuar amamentando, vá em frente! Talvez um dia ele se arrependa de ter te pedido algo tão egoísta (tomara!).

(Dúvida 26) Meus seios ficam “vazando” o tempo todo. Já não tenho quase roupas limpas. O que fazer?

Hoje em dia existem duas alternativas para este problema: uma delas é o absorvente para seios. Eu gostava muito deles, pois são super discretos e não sujam o sutiã e as blusas. Mas eles devem ser trocados de tempos em tempos, assim como o absorvente comum para menstruação.

Outra opção são as conchas para amamentação. Elas são práticas e armazenam o leite que fica pingando. Mas atenção: lave-as com frequência para não acumular fungos.

(Dúvida 27) Não sinto desejo sexual durante o período de amamentação. Isso é normal?

Sim, e bastante comum. Além do cansaço físico das noites maldormidas, do corpo voltando à aparência de antes e de toda a rotina transformada, nós sofremos com alterações hormonais nesse período, principalmente da prolactina, que inibe o desejo sexual.

Procure conversar com o seu parceiro para que isso não venha a ser um problema em seu relacionamento.

(Dúvida 28) O que fazer se o bebê dormir no peito durante a amamentação?

Isso é bastante comum, principalmente nos dois primeiros meses de vida. Se o seu bebê dormiu mamando, não há a necessidade de acordá-lo. Coloque-o delicadamente no berço e dê o mesmo seio quando ele acordar, caso este não tenha sido esgotado.

(Dúvida 29) É verdade que os bebês “chupetam” o peito?

Sim. Os bebês não procuram o peito só para mamar, mas também para ficar perto da mãe em busca de consolo e proteção. Porém, se você perceber que o bebê está no peito apenas para chupetar, é interessante redirecionar esse comportamento com outras formas de vínculo, como mantê-lo no colo, abraçar, beijar ou cantar para ele.

Mas qual é o problema então? É que esse tipo de comportamento, além de viciante para a criança, pode ser extremamente cansativo e doloroso para a mãe, então quanto antes acabar com esse hábito, melhor.

(Dúvida 30) O que fazer se o bebê só quer mamar o mesmo peito?

Se isso acontecer com frequência, talvez o motivo seja em relação à posição em que ele está sendo amamentado. Procure encontrar outras posições e veja se ele continuará rejeitando. Caso isso não funcione, procure ajuda do pediatra ou de uma especialista em amamentação.

(Dúvida 31) Existe um tempo ideal para cada mamada?

Não. Alguns bebês mamam super rápido enquanto outros demandam mais tempo. Sendo assim, será o bebê quem irá determinar o tempo da mamada.

(Dúvida 32) É verdade que canjica, arroz doce e cerveja preta aumentam a produção de leite?

Não, isso é mito! O que aumenta a produção de leite é uma dieta balanceada e a ingestão de muito líquido, principalmente de água. Em relação à cerveja preta, é importante lembrar que o álcool é totalmente desaconselhado durante a amamentação. A canjica e o arroz doce, por sua vez, não aumentam a produção do leite, mas podem trazer alegria à mulher (se ela gostar, claro! haha).

(Dúvida 33) O estresse pode influenciar na produção de leite?

Sim! Por isso que é tão importante ter uma rede de apoio que respeite, encoraje e ajude a mãe que amamenta.

(Dúvida 34) O que é colostro?

O colostro é o chamado “leite de ouro”, pois é o primeiro leite materno que aparece antes da “descida do leite”. Esse leite é importantíssimo porque confere ao bebê imunidade adquirida pela mãe e coloniza o intestino do bebê com bactérias do bem. Além disso, é ele quem constrói a flora intestinal da criança. Diz aí: vale ou não vale ouro?

(Dúvida 35) Quando meu leite começará a descer?

Normalmente, a descida do leite ocorre em torno do terceiro ou quarto dia pós-parto. Até lá, o bebê pode ser saciado com o colostro. Quanto mais o bebê suga, mais a produção de leite é estimulada.

Alguns desafios que podem atrapalhar a amamentação [2,5]

1. Pega incorreta do bebê

A amamentação pode ser prejudicada se a pega do bebê não estiver correta. O bebê deve abocanhar completamente a aréola do seio para extrair o leite corretamente. Veja a foto abaixo, e observe a “boca de peixinho” com o O bem aberto, lábios virados para fora e pegando toda a aréola e não apenas o bico do seio:

Pega correta do bebê. (Imagem: não identificado o autor)

A pega incorreta, além de prejudicar a amamentação, pode causar sérios machucados na mãe. Por isso, é importante saber o que é uma pega boa. Caso o seu bebê não esteja mamando como na foto, vale conversar com o pediatra ou com algum especialista em amamentação.

2. Dores e machucados nos seios

 Mamilos rachados e machucados podem tornar a amamentação menos eficiente.

Os mamilos rachados, machucados ou sangrando estão diretamente relacionados com uma pega errada do bebê. O que você pode fazer neste caso é consultar um especialista em amamentação para que ele te ajude a estimular uma pega correta. Pomadas de lanolina, o próprio leite materno no local machucado e um banho de sol pode ajudar bastante a curar os machucados.

3. Bebê que mama apenas o leite anterior

O leite do início da mamada geralmente é um leite menos gorduroso. Por isso, ofereça o outro seio apenas quando o bebê esgotar o primeiro. Você perceberá que o peito fica até mais leve quando o bebê o esgotou.

Como os bebês recém-nascidos são mais “preguiçosos” (no bom sentido), eles podem ter dificuldade em esgotar o seio e chegar no leite mais gordo. Nesse caso, há um truque: experimente ordenhar um pouco de leite antes de oferecer o peito à criança. Assim, ele pegará o leite mais gordinho logo de cara.

4. Mamãe estressada ou exausta

Você acabou de passar por uma cirurgia (ou por um longo trabalho de parto), sua rotina mudou completamente e, para piorar, você tem suas noites de sono interrompidas ou inexistentes.

Uma rede de apoio de familiares e/ou amigos é ESSENCIAL para que uma mãe recém-nascida se alimente corretamente, BEBA MUITA ÁGUA e descanse nos intervalos das mamadas. Com isso, além de menos esgotada, você produzirá mais leite.

5. Mamilos planos e/ou invertidos

Mamilos planos ou invertidos podem dificultar o início da amamentação, mas não a impedem, pois o bebê faz o “bico” com a aréola. Uma mãe com mamilos planos ou invertidos pode amamentar com sucesso e, para isso, é fundamental que ela receba ajuda logo que o bebê nasce.

Essa ajuda consiste em: empoderar a mãe e deixar claro que ela consegue amamentar; ajudar a mãe a favorecer a pega do bebê; tentar diferentes posições para ver em qual delas a mãe e o bebê adaptam-se melhor e mostrar à mãe manobras que podem ajudar a aumentar o mamilo antes das mamadas, como o simples estímulo (toque) do mamilo, compressas frias e sucção com uma bomba manual.

6. Candidose (candidíase, monilíase)

A infecção da mama no puerpério por Candida sp é bastante comum. A infecção pode atingir só a pele do mamilo e da aréola ou comprometer os ductos lactíferos. São fatores que predispõem: a umidade e lesão dos mamilos e o uso, pela mulher, de antibióticos, contraceptivos orais e esteroides. Alguns especialistas sugerem que as conchas usadas no período da amamentação pode contribuir para a proliferação dos fungos, visto que o seio fica úmido durante um longo período de tempo. Na maioria das vezes, é a criança quem transmite o fungo, mesmo quando a doença não seja aparente nela.

A infecção por Candida sp costuma manifestar-se por coceira, sensação de queimadura e dor em agulhadas nos mamilos, que persiste após as mamadas. A pele dos mamilos e da aréola pode apresentar-se avermelhada, brilhante ou apenas irritada ou com fina descamação; raramente se observam placas esbranquiçadas. Além do tratamento específico contra o fungo, algumas medidas são úteis durante o tratamento e para prevenir a candidíase, como lavar os mamilos e secá-los ao ar livre após as mamadas e expô-los à luz solar por pelo menos alguns minutos por dia.

7. Bloqueio dos ductos mamários

O bloqueio de ductos mamários ocorre quando o leite produzido numa determinada área da mama não é drenado adequadamente. Com frequência, isso ocorre quando a mama não está sendo esvaziada adequadamente, o que pode acontecer quando a amamentação é infrequente ou quando a criança não está conseguindo remover o leite da mama de maneira eficiente. Pode ser causado, também, quando existe pressão local em uma área, como um sutiã muito apertado, ou como consequência do uso de cremes nos mamilos, obstruindo os poros de saída do leite. Cirurgias como mamoplastia de redução também podem causar este problema (lembra da minha história, né?).

Em casos não cirúrgicos, qualquer medida que favoreça o esvaziamento completo da mama irá atuar na prevenção do bloqueio de ductos lactíferos. Assim como a técnica correta de amamentação e mamadas frequentes reduzem a chance dessa complicação, o uso de sutiã que não bloqueie a drenagem do leite e a restrição ao uso de cremes nos mamilo são formas eficazes de evitar o problema.

8. Mastite

A mastite consiste em uma inflamação de um ou mais segmentos da mama, geralmente em um dos seios, que pode ou não progredir para uma infecção bacteriana. Ela pode ocorrer em qualquer período da amamentação, sendo mais comum na segunda e terceira semanas pós-parto.

Os sintomas mais comuns são: mamas avermelhadas, inchadas e doloridas. Em alguns casos a mãe pode apresentar febre alta, mal-estar generalizado e calafrios.

Se você suspeita que está com mastite, procure o mais rápido possível um médico (você pode ir até a maternidade e ser atendida pelo plantonista se não conseguir um encaixe com o seu ginecologista/obstetra), pois sem o tratamento adequado e em tempo oportuno a mastite pode evoluir para abscesso mamário, uma complicação grave.

8. Abcesso mamário

O abscesso mamário, em geral, é causado por uma mastite não tratada ou com tratamento iniciado tardiamente ou ineficaz. É comum após a interrupção da amamentação na mama afetada pela mastite sem o esvaziamento adequado do leite por ordenha. O diagnóstico é feito basicamente pelo quadro clínico: dor intensa, febre, mal-estar, calafrios e presença de áreas de flutuação à palpação no local afetado [2].

Os abscessos mamários não adequadamente tratados podem evoluir para drenagem espontânea, necrose e perda do tecido mamário.

Profissionais e grupos de apoio

Eu costumo brincar dizendo que se a amamentação fosse fácil não teria campanha de incentivo. Mas, a amamentação pode (e deve) ser um ato simples e alegre para as mulheres, independentemente dos desafios que esse período pode nos trazer.

Familiares e amigos são uma rede de apoio importantíssima para a mãe que está amamentando. Mas, além destes, existem profissionais e grupos de apoio que podem ser consultados sempre que a mãe apresentar alguma dúvida ou problema durante a amamentação. São eles:

Ginecologista/Obstetra/Pediatra: converse com seu médico a respeito das suas dificuldades. Procure sempre descrever o que acontece na hora da mamada, para que ele possa tentar identificar o problema junto com você.

Maternidade/bancos de leite: normalmente as maternidades e os bancos de leite contam com um grupo de enfermeiras especializadas em amamentação. Busque ajuda nesses lugares se estiver passando por alguma dificuldade.

Grupos de apoio à amamentação: existem diversos grupos idôneos e com informações confiáveis na Internet. Alguns deles são: Amigas do Peito, Casa Curumim, GAMA, Aleitamento.com e Matrice.

Cuidado com algumas informações que circulam nas redes sociais e no WhatsApp. Muitos conteúdos errados e irresponsáveis podem prejudicar a amamentação materna. Tenha discernimento com informações lidas em blogs e vistas em vídeos do Youtube. Procure sempre por fontes científicas que respaldem as afirmações. Quando falamos de nossos filhos, todo cuidado é pouco.

E lembre-se: a amamentação pode ser prazerosa sim. Pode ser maravilhosa. Pode ser um momento único entre você e o seu bebê. Não há nada mais gostoso do que receber um pequeno sorriso enquanto mama. Não há nada mais poderoso do que saber que você – e apenas você – é capaz de nutrir um outro ser humano.

Por isso, se respeite sempre, exija respeito e respeite o seu bebê. Com o tempo tudo vai melhorar e a amamentação se tornará algo leve e agradável… eu PROMETO!

Um abraço, com carinho.

Fontes utilizadas

[1] CAMARGO, J. F. et al. Experiência de amamentação de mulheres após mamoplastia. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 52, p. 1-9, 2018.

[2] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília, DF, 2015.

[3] LARA, M. L. As vantagens de amamentar por livre demanda. Revista On-line Bebê.com, 2017.

[4] BRASIL. Ministério da Saúde. Especial amamentação: como saber se o bebê está mamando o suficiente? 2017. [Vídeo na Plataforma Youtube]. Disponível aqui.

[5] BABY CENTER DO BRASIL. Como saber se o leite de quem amamenta é suficiente. Disponível aqui.

[6] JONES, G. et al. How many child deaths can we prevent this year? Lancet, v. 362, p. 65-71, 2003.

[7] VICTORIA, C. G. et al. Breast-feeding, nutritional status, and other prognostic factors for dehydration among young children with diarrhoea in Brazil. Bull World Health Organization, v. 70, p. 467-75, 1992.

[8] IP, S. et al. A summary of the Agency for Healthcare Research and Quality’s Evidence Report on Breastfeeding in develop countries. Breastfeeding Medicine, v. 4, n. 1, p. 17-30, 2009.

[9] VAN ODIJK, J. et al. Breastfeeding and allergic disease: a multidisciplinary review of the literature: 1966-2001: on the mode of early feeding in infancy and its impact on later atopic manifestations. Allergy, v. 58, p. 833- 843, 2003.

[10] HORTA, B. L. et al. Evidence of the long-term effects of breastfeeding: systematic reviews and metaanalysies. Geneva: WHO, 2007.

[11] DEWEY, K. G. Is breastfeeding protective against child obesity? Journal of Human Lactation, v. 19, p. 9-18, 2003.

[12] COLLABORATIVE GROUP ON HORMONAL FACTORS IN BREAST CANCER. Breast cancer and breastfeeding: collaborative reanalysis of individual data from 47 epidemiological studies in 30 countries, including 50302 women with breast cancer and 96973 women without the disease. Lancet, v. 360, p. 187-195, 2002.

[13] STUEBE, A. M. et al. Duration of lactation and incidence of type 2 diabetes. JAMA, v. 294, p. 2601-2610, 2005.

[14] AGUSTINI, G. 20 dúvidas sobre amamentação solucionadas. Revista On-line Bebê.com, 2015.