Desenvolvimento infantil,  Gravidez

Bebês e animais de estimação: uma dupla que dá certo!

Quando estamos planejando uma gravidez, ou quando somos pais de primeira viagem, é muito normal termos diversas dúvidas e receios. Até porque existem milhares de informações na Internet e a maioria delas destoam entre si, nos deixando inseguros e preocupados.

Assim, uma dúvida muito comum é sobre a relação dos nossos filhos pequenos com os animais domésticos da família. “Animais podem conviver com bebês recém-nascidos?”, “Grávidas podem entrar em contato com gatos?”, são alguns dos exemplos clássicos das preocupações de muitos pais.

Neste sentido, este post tem como objetivo trazer informações de fontes científicas seguras sobre o que devemos saber da relação bebês e pets. Mas eu já adianto: essa é uma dupla que dá certo! Portanto, nada de abandonar seu cãozinho ou gatinho ao descobrir a gravidez, hein? Além de desnecessário, é um ato totalmente covarde e cruel.

Quais cuidados preciso ter com o animal durante a minha gestação? [1]

Se você está está gestante e possui animaizinhos domésticos, é importante tomar alguns cuidados com relação à saúde deles antes do bebê chegar:

  • Mantenha as vacinas, vermífugos e anti-pulgas do seu animal sempre em dia;
  • Ao descobrir a gestação (ou antes de engravidar), leve-o ao veterinário para que ele examine se está tudo bem com o seu animal.  O veterinário poderá avaliar se o bichinho está com vermes, doenças de pele ou outros distúrbios que podem afetar a saúde do recém-nascido. A dermatofitose, por exemplo, é um tipo de erupção cutânea que pode ser transmitida do animal para a criança.
  • Mantenha (ou inicie) uma rotina de banhos semanais em seu animalzinho e certifique-se de mantê-lo limpo durante a semana;
  • Mantenha as caminhas e paninhos do seu animalzinho sempre limpos;
  • Peça para alguém que more com você fazer a limpeza das necessidades do seu bichinho. Caso isso não seja possível, higienize muito bem as mãos depois de recolher as fezes e limpar a urina do animal.
  • Tenha cuidado com as empolgantes e fofas “brincadeiras” dos animais quando chegar em casa, principalmente se você possui animais grandes, como cães da raça Golden Retriever ou Labrador, por exemplo. Algumas brincadeiras podem ocasionar quedas ou lesões graves em gestantes.
  • Gestantes que possuem roedores como hamster são orientadas a não fazer a limpeza das gaiolas durante a gravidez. No caso específico desses bichinhos, o risco se encontra no vírus Lymphocytic choriomeningitis presente na urina do animal, que pode provocar doenças congênitas no bebê.

Tenho um gatinho e estou grávida. Tenho que me desfazer dele?

De jeito nenhum! Muitas pessoas ainda pensam que os gatos devem ser doados quando a dona engravida. Isso é um ato extremamente cruel. Você não precisa se desfazer do seu gatinho, nem de nenhum outro animal que você tenha porque está grávida.

No caso específico de gatos, muito da preocupação consiste na transmissão da toxoplasmose – doença extremamente grave para gestantes, pois pode causar catarata, hidrocefalia e outras má-formações congênitas no bebê.

Os gatos são os únicos animais que, se contaminados com o Toxoplasma, passam a eliminá-los nas fezes, sendo o vetor para a contaminação em humanos.

Porém, é importante saber como se dá o contato e em quais casos devemos nos preocupar. Em uma entrevista para o site da ativista Luisa Mel [2], a ginecologista Mariana Amora Cocuzza, dá algumas orientações com relação aos gatinhos: “Apenas 1% dos gatinhos transmite a toxoplasmose e, para isso, eles precisam estar doentes e, principalmente, na fase de eliminação dos oocistos. Para que você se contamine com o toxoplasma, você precisa comer a forma infectante, que nada mais são que os ovinhos germinados presentes nas fezes do gato contaminado. Ou seja, você precisa que as fezes do gato tenham contato com sua boca. E tem mais, as fezes do gato infectado precisam ter contato com sua boca depois de 48 horas que o gato tenha defecado, caso contrário, os “ovinhos não germinam” e o ciclo não se completa!” 

Ou seja, é muito mais preocupante consumir carnes cruas e frutas e verduras mal higienizadas do que manter seu gato perto de você na gestação. Porém, alguns cuidados básicos podem ser tomados pelas donas e apaixonadas por gatos:

  • Peça alguém para limpar diariamente a caixinha de areia com as fezes do seu gato e, se não for possível, tente não entrar em contato direto com as fezes do felino. E, claro, higienize muito bem as mãos depois.
  • Alimente-o apenas com rações; nunca deixe-o comer carne crua para evitar uma possível contaminação.
  • Evite deixar o gato sair de casa, para que ele não corra o risco de contrair o parasita na rua.

Quais cuidados preciso ter com os animais depois que o bebê nasce?

Depois que o bebê nasce é muito importante que alguns cuidados sejam tomados, tanto para a segurança do bebê quanto para a segurança do animal:

  • Evite deixar a criança com o animal sem a supervisão de um adulto. Por mais manso e tranquilo que seja seu bichinho de estimação, ele também está passando por uma fase de adaptação e mudança. Por isso, algum movimento mais brusco do bebê ou um barulho diferente podem assustá-los e causar problemas, como arranhões e/ou mordidas.
  • Evite que recém-nascidos e animais dividam a mesma cama ou o mesmo berço. As crianças pequenas ainda possuem o seu sistema imunológico em formação, portanto, pelos e a própria saliva do animal pode transmitir doenças para o bebê.
  • Pelo mesmo motivo citado acima, evite que os animais lambam o rosto e as mãos dos bebês pequenos. (Mas permita que eles cheirem o pezinho e as perninhas da criança; isso vai familiarizando o animal com o novo membro da família).
  • Se você possui um cão bravo ou um gato arisco, delimite o espaço que eles têm de circulação na casa para manter a criança em segurança.
  • Higienize bem suas mãos e as do bebê após tocar no animal de estimação.
  • Fique atento a sinais de perigo, como a possibilidade do seu animal de estimação avançar, arranhar ou morder a criança.
  • Se o animal ficar doente, leve-o imediatamente ao veterinário e o mantenha longe do bebê até ele ser diagnosticado.
  • Se o bebê for mordido ou arranhado, desinfete o machucado e leve-o ao pediatra.
  • Não deixe o bebê colocar o rosto perto do nariz ou boca do animal.

Como apresentar o bebê ao meu animal de estimação?

É muito importante que a apresentação entre os dois seja o mais tranquila possível.

Como nossos cães podem ser um pouco ciumentos (aqui em casa eu tenho um dócil e um pouco ciumento shih tzu!), ao chegar da maternidade, tente dar à ele um pouco de atenção especial, passando para ele a mensagem de que ele continua sendo importante e amado para a família [3]. Embora os gatos não sejam tão ciumentos quanto os cães, eles podem ser atraídos pelo calor do carrinho ou do berço do bebê. Nesse caso, certifique-se de oferecer à eles um lugar bem aconchegante para que eles possam se deitar e descansar. Também é interessante comprar alguns brinquedos novos, tanto para os cães quanto para os gatos, para eles se distraírem e alguns petiscos que os deixem felizes!

Deixe, com supervisão, que os animais vejam, cheirem e rodeiem o bebê. É importante que eles se familiarizem com os barulhos e com o cheiro do novo integrante da casa. Portanto, a não ser que seus animais sejam bravos e/ou estejam doentes, deixe que eles mantenham a rotina normal dentro de casa (mas nunca deixe o bebê sozinho com eles). Por exemplo: se o seu manso e carinhoso cãozinho sempre dormiu dentro de casa, não é justo que agora ele passe a dormir no quintal.

Conforme a criança for crescendo, estimule a interação de ambos. Com um ano de idade a criança já consegue jogar uma bolinha para o cachorro ir pegar. Aos dois, ela já pode colocar ração no potinho do animal (mas cuidado para que o animal não avance nela), e assim vai.

Ensine seus filhos que não pode mexer nas necessidades do animal e que eles não gostam de serem incomodados quando estão comendo ou dormindo. Também é importante ensinar que os animais merecem respeito e que não é certo bater ou puxar os pelos deles. Com o tempo eles se tornarão grandes e inseparáveis amigos, você vai ver!

Benefícios da relação crianças-animais [4,5,6]

Os animais trazem diversos benefícios para as crianças. (Imagem: Unspash)

Manter uma relação saudável e amorosa com um animalzinho de estimação é uma das coisas mais deliciosas da vida. Não vejo a minha vida sem um animalzinho ao meu lado. Para as crianças esta relação é extremamente benéfica também. Confira abaixo uma lista de benefícios da relação do seu filho com o seu bichinho de estimação.

  • Quando em contato com um animal de estimação, a capacidade da criança se vincular com outros seres vivos (humanos ou animais) pode ser fortalecida;
  • Ao observar o comportamento do animal, as crianças podem perceber e aprender as relações de causa e efeito;
  • Quando possui um relacionamento com o bichinho, a criança pode ter suas necessidades de amar e ser amada satisfeitas;
  • O contato com os animais aliviam a ansiedade infantil e ajudam as crianças a manter uma relação mais sólida com a realidade;
  • O contato com animais de estimação pode ser extremamente benéfico para crianças que não se expressam pela fala, inibidas, autistas, esquizofrênicas, retraídas, compulsivas obsessivas e para aquelas socialmente desfavorecidas;
  • As crianças desenvolvem mais rápido as noções de companheirismo e responsabilidade com aqueles que dela dependem. Com o bichinho, elas aprendem a respeitar os horários de alimentação, passeios, necessidades fisiológicas como sono, urinar e defecar.
  • As crianças se tornam mais ativas, com menos tempo de tela, porque se distraem brincando e levando o animal para passear.
  • A companhia de um animal reduz as chances dos pequenos desenvolverem resfriados, problemas estomacais e até dores de cabeça. Isso acontece porque os níveis de imunoglobulina A, um anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação viral ou bacteriana, aumentam quando em contato com os animais e fortalecem o sistema imunológico [6].

Quais as melhores raças de cachorrinhos para crianças pequenas?

Não gosto muito de falar em termos de raças, pois cães sem raça definida (os famosos vira-latas) podem ser muito amorosos e um baita companheiro para os seus filhos (e para você).

Mas se ainda assim, você faz questão de ter um cachorrinho de raça, as mais indicadas (por serem dóceis) são: shih-tzu, maltês, yorkshire, poodle, labrador, golden retriever, Cocker, daschund e spitz alemão.

Mas é importante salientar que, mais do que a raça, o mais importante é o temperamento do animal e a forma como ele é tratado pela família.

Para finalizar…

Ter um bichinho de estimação é uma delícia. Vê-los interagir com as crianças dá um sentimento de amor e paz aos nossos corações. Mas lembre-se, sempre, que animais merecem ser respeitados e viver com amor e segurança. Eles também demandam certos cuidados especiais e, algumas vezes e dependendo da raça, custos elevados.

Se você tem vontade de dar um animalzinho para o seu filho leve em consideração todos os benefícios e os desafios de se ter um animal de estimação. De nada adianta comprar um bichinho e depois deixá-lo de lado ou não tratá-lo como se deve.

Abraços!

Fontes utilizadas

[1] MARCUCCI, C.; LAZZERI, T. Grávidas e cachorros: pode, sim! Revista Crescer, 2018.

[2] MELL, L. Gravidez e gatos: existe perigo nesta relação? O que é verdade e o que é mito? Blog Luiza Mell, 2018.

[3] BABY CENTER UK. How can our pets and our new baby live together safely and happily? 2018.

[4] DELARISSA, F. A. Animais de estimação e objetos transicionais: uma aproximação psicanalítica sobre a interação criança-animal. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho, Assis, 2003.

[5] REED, R.; FERRER, L.; VILLEGAS, N. Curadores naturais: uma revisão da terapia e atividades assistidas por animais como tratamento complementar de doenças crônicas. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 20, n. 3, 2012.

[6] PORTAL G1. Relação entre animais de estimação e crianças traz série de benefícios. 2017.