Gravidez,  Papo de mãe

10 passos para voltar da licença-maternidade com mais tranquilidade

A licença-maternidade é um direito garantido na Constituição para as mulheres que contribuem para a Previdência Social (INSS) – seja por via empregatícia (quando a contribuição é recolhida diretamente na folha de pagamento) ou por contribuição facultativa (voluntária). Através desse benefício, as mulheres podem se ausentar do trabalho, sem perdas salariais por, no mínimo, 120 dias.

No entanto, voltar da licença-maternidade pode ser um momento bastante delicado para as recém-mamães. Isso porque deixar aquele serzinho tão pequeno e indefeso aos cuidados de outras pessoas é devastador.

Porém há algumas maneiras de tornar esse momento um pouquinho mais leve. Vamos à elas.

1. Se planeje com antecedência

A primeira coisa que você deve pensar é: com quem a criança vai ficar quando você retornar ao trabalho?

Algumas mulheres preferem deixar o filho com um familiar, outras decidem contratar uma babá e há aquelas que optam por uma creche ou berçário.

Seja qual for a sua escolha, todas devem ser planejadas com antecedência.

Ficando com um familiar

Muitas famílias optam por deixarem seus filhos aos cuidados de um parente próximo, como os avós ou tios. Além de ser mais em conta financeiramente, a criança já possui um laço com essas pessoas.

Na foto vemos as mãos de uma pessoa mais idosa e de um bebê.

Caso seja esta a sua opção, algumas coisas devem ser verificadas antes da sua volta ao trabalho:

  • Esta pessoa está apta, fisicamente e psicologicamente, para cuidar de um bebê?
  • Esta pessoa está realmente disposta a ficar com o seu filho?
  • Esta pessoa está habituada aos hábitos da criança? (Se não estiver, é interessante que ela comece a entender a rotina do bebê um pouco antes de você voltar a trabalhar);
  • O bebê ficará na sua casa ou na casa deste parente?
  • Se ele for ficar na casa do parente, esta casa é segura para uma criança que irá engatinhar e, mais tarde, andar?
  • Haverá algum tipo de remuneração para essa pessoa?
  • Essa pessoa ficará com a criança o dia inteiro ou por algum período?
  • Quais regras você gostaria que essa pessoa seguisse, em relação à educação, alimentação e disciplina do seu filho?

É importante ter uma conversa franca com o seu familiar, pois cuidar de uma criança pequena requer muitos cuidados e é extremamente cansativo, principalmente se a pessoa em questão for mais velha ou apresentar algum problema de saúde.

Ficando com uma babá

Na foto vemos uma criança com a babá.

Contratar uma babá é uma opção quando precisamos voltar ao trabalho.

Porém, é muito importante que algumas coisas sejam analisadas antes da contratação:

  • Você possui indicações prévias desta profissional? Algum parente ou amigo já a contratou no passado? Como foi a experiência?
  • A babá possui experiência com bebês e crianças da idade do seu filho?
  • Esta pessoa possui educação e hábitos saudáveis? (Por exemplo: obviamente não é interessante contratar uma pessoa que fale palavrões ou que não tenha uma boa higiene).
  • Como essa pessoa se relaciona com o seu filho? (uma opção interessante é que ela comece a trabalhar antes da sua volta ao trabalho, para já entender como é a rotina do bebê.)
  • Qual será o seu salário e as taxas dos seus benefícios (impostos, 13º salário, férias remuneradas, aviso prévio, vale-transporte, etc.)?
  • Quais dias da semana e por quantas horas ela ficará com a criança?
  • Caso a babá precise faltar um dia ou quando ela estiver de férias, com quem a criança irá ficar?
  • Esta pessoa é carinhosa, atenciosa e responsável?
  • A babá ficará sozinha com a criança ou terão outras pessoas na casa?
  • Quais regras você gostaria que essa pessoa seguisse, em relação à educação, alimentação e disciplina do seu filho?

Ficando em uma creche/berçário

Por fim, existe a opção da criança ficar em uma creche ou berçário.

Na foto vemos uma sala de um berçário.

Assim como nas outras opções, esta também deve ser analisada com cuidado.

  • Você optará por um berçário público ou particular?
  • Você possui indicações prévias desta escolinha? Algum parente ou amigo já colocou seus filhos neste lugar no passado? Como foi a experiência?
  • Alguém que você conhece tem o filho nesta creche? O que a pessoa acha do lugar?
  • Como é a estrutura do berçário? O lugar é limpo, claro, arejado e bem cuidado?
  • Quais atividades seu filho terá acesso?
  • Como são as professoras? Elas possuem auxiliares? As turmas são muito grandes?
  • Como funciona a alimentação? Você terá que mandar comida de casa ou a escola que é responsável?
  • Os profissionais são amorosos e experientes?
  • Seu filho ficará período integral ou meio período?
  • No caso de berçários particulares, qual o valor da mensalidade? E da matrícula? Existem taxas extras de alimentação? Tem que usar uniforme?

2. Planeje a alimentação do bebê

É relativamente simples manter o aleitamento materno exclusivo enquanto não voltamos a trabalhar. Porém, com o fim da licença-maternidade, é possível que alguns ajustes tenham que ser feitos quanto à rotina alimentar do seu filho.

Neste quesito, você tem algumas opções:

Continuar com leite materno

A amamentação exclusiva traz diversos benefícios para o bebê (confira nosso guia de amamentação com mais de 35 perguntas e respostas aqui).

Embora as trabalhadoras em regime CLT tenham o direito de dois descansos especiais para amamentar, só isso não dá conta da demanda de uma criança pequena.

Neste caso, uma saída é oferecer o leite materno previamente ordenhado com uma bombinha. Dê uma olhada como funciona [1]:

Etapa 1: Armazene o leite coletado pela bombinha em um recipiente hermeticamente fechado (dê preferência à potes de vidro);
Etapa 2: Deixe um espaço de dois dedos entre a boca do frasco e o leite (para não quebrar o vidro no congelador);
Etapa 3: Identifique cada frasco com a data e o horário da coleta; 
Etapa 4: Guarde o frasco no freezer ou no congelador. 

Prazo de validade para o leite materno: 12 horas na geladeira e 15 dias no congelador.

Existem uns saquinhos especiais para armazenar o leite materno, se você preferir. Dá para achá-los em lojas para produtos de bebê ou pela Internet. Para utilizar este leite, bastam alguns simples procedimentos:

Etapa 1: Descongele o leite na geladeira.
Etapa 2: Amorne o leite em banho-maria (com água quente em fogo desligado);
Etapa 3: Agite o frasco lentamente para misturar os componentes do leite;
Etapa 4: Depois da mamada, o leite morno que não foi ingerido pelo bebê deve ser desprezado. 
Observação: O Ministério da Saúde alerta que não é recomendável ferver, nem aquecer o leite no micro-ondas. Este tipo de aquecimento pode destruir fatores de proteção do leite materno.

No caso de você optar pela continuação do aleitamento materno, é bom começar uns dias antes de voltar ao trabalho a fazer um estoque. Também é importante pensar como esse leite será oferecido ao bebê: através de mamadeira? Com um copinho?

Faça alguns testes com a criança antes para saber o que mais funciona para vocês.

Introdução ao leite de fórmula

Se você optar pelo leite de fórmula, é importante avisar o pediatra do seu bebê sobre essa decisão, para que ele lhe oriente qual o melhor tipo de leite para o seu filho.

Além disso, é importante que você tire as dúvidas com ele sobre você própria, afinal, sem a demanda do bebê, seu leite pode diminuir ou até secar. Pense se você continuará amamentando a criança de manhã e/ou a noite e como você fará os ajustes com relação à isso.

Existem diversas opções de fórmulas no mercado, com uma variação imensa de marcas e preços. Como seu filho vai começar a usar a mamadeira, uma dica é que você comece um tempo antes a familiarizá-la com ela.

Introdução alimentar

Algumas mulheres só voltam a trabalhar quando a criança está com seis meses, coincidindo com a introdução de alimentos sólidos.

Se preparar para a introdução alimentar é importante porque nesta fase tudo é novo para a criança. Nesse sentido, é interessante pensar em como serão oferecidos os alimentos: em pedacinhos? Na forma de papinhas? Quais legumes e frutas oferecer? A creche é responsável pela alimentação ou você terá que levar de casa?

3. Volte ao trabalho aos poucos

Alguns trabalhos possibilitam uma volta gradual.

Se você é do time que consegue fazer isso, é interessante alguns dias antes do retorno oficial dar uma passadinha no escritório, rever os colegas, manter o contato por telefone, e assim por diante.

Na imagem vemos uma mesa de trabalho, com uma caderneta, mouse, teclado e fones de ouvido colocados sobre um fundo rosa.

Isso não significa que você irá voltar a trabalhar antes da licença acabar, mas sim que você irá começar a se re-familiarizar com as questões profissionais.

Digo isso porque, depois de tudo que aconteceu nos últimos 4 ou 6 meses, voltar diretamente para a mesa de trabalho pode ser um baque e tanto. Essa volta gradual e parcial também é legal porque possibilita que você teste como seu bebê irá reagir sem a sua presença constante, ao lado de outras pessoas.

4. Se prepare para a “despedida”

É mais ou menos a mesma lógica descrita na terceira dica.

É válido que um tempo antes de voltar a trabalhar (um mês, mais ou menos) você deixe o seu bebê aos cuidados de outra pessoa por algumas horas (com o pai, com algum parente ou com a babá), para vocês dois irem se acostumando com essa “separação”.

Na imagem vemos uma mãe com o seu bebê.

Um bebê que nunca se afastou da mãe e de repente se vê sem ela por horas seguidas pode ficar desesperado. a também volta.

Por isso, essas saidinhas são benéficas, pois ele começa a perceber que a mamãe sai, mas ela também volta.

5. Transmita segurança ao seu filho

Nada de sair escondida da criança. Mais vale uma lágrimas do seu filho sabendo onde você está indo e que você irá voltar, do que o desespero interior que ele pode sentir ao notar a sua ausência.

Seja honesta com ele ou com ela. “A mamãe vai trabalhar agora, você vai ficar com a pessoa X, e depois a mamãe volta para casa. Eu te amo”. Vire-se e vá. Evite voltar (por mais doloroso que isso seja), pois isso demonstra insegurança da sua parte.

E todos percebem quando alguém está indeciso, mesmo as crianças pequenas.

6. Não sinta culpa

Esse talvez seja um dos mais difíceis, né! Qual a mãe que nunca se sentiu culpada de deixar um filho pequeno com outra pessoa para voltar a trabalhar?

Na imagem vemos uma mãe beijando o seu filho.

Mas pense que você também está voltando por ele e que mais vale um tempo de qualidade do que quantidade. Não adianta uma mãe abandonar a carreira para ficar com os filhos e se sentir frustrada e triste com essa decisão.

Trabalhar faz parte da nossa vida, é uma necessidade e também uma satisfação (pelo menos deveria ser). Seu filho não se sentirá menos amado por isso.

7. Não ligue para o comentário dos outros

Lembre-se: você nunca irá agradar a todos. E na verdade, nem tem por que, né!

Na foto vemos uma mulher com o dedo sobre a boca em um gesto de "silêncio".

Mães que deixam a carreira e ficam em casa em tempo integral são julgadas. Mães que voltam a trabalhar depois de terem filhos são julgadas. Mães bem sucedidas na carreira são julgadas. Mães “do lar” também são julgadas.

Por isso, minha amiga, não ligue para os comentários. Só você sabe o que é melhor para si mesma e para a sua família.

8. Tente ter uma boa noite de sono

Apesar disso não depender apenas de nós mesmas, ter uma boa noite de sono faz toda a diferença quando somos multitarefas.

Na imagem vemos uma mulher dormindo.

Sem contar que é quase impossível ser produtiva quando estamos exaustas. Por isso, veja com o seu parceiro sobre possíveis ajustes durante a noite, como revezamentos para alimentar a criança ou banhá-la.

Aproveite, também os fins de semana para tentar restaurar sua energia. (E lembre-se: a casa pode esperar, já a nossa saúde não).

9. A tecnologia pode ser sua amiga

Graças a tecnologia, podemos nos manter por perto da rotina dos nossos filhos mesmo estando longe deles.

Na imagem temos uma mão feminina digitando uma mensagem em um iPad.

Isso é muito útil, principalmente para mães que precisam viajar a trabalho. Mas pode ser um ótimo artifício para aquelas que estão voltando da licença-maternidade. Receber fotos e fazer ligações por vídeo aquece o nosso coração e ajuda muito na volta à nossa rotina profissional.

10. Aproveite a volta ao trabalho

Nós não precisamos deixar a nossa vida toda de lado porque somos mães. Muitas mulheres gostam de seus trabalhos e se sentem realizadas profissionalmente. Eu mesma sempre gostei muito de trabalhar, ter a minha independência financeira e fazer o que eu gosto, e mesmo assim continuo amando ser mãe.

A imagem mostra um grupo de mulheres trabalhando.

Por isso, a volta da licença-maternidade pode ser um momento benéfico para muitas pessoas, por mais que o nosso coração esteja em cacos.

Voltar à rotina de trabalho, interagir socialmente com os colegas e retornar ao seu papel como profissional é uma brecha importante para você pensar e falar sobre outros assuntos e se reintegrar ao mundo fora de casa.


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**(Todas as imagens utilizadas neste post foram retiradas do site Unsplash e possuem os seus direitos respeitados).