Bem estar materno e infantil

Viagem de avião com criança pequena: no Brasil e no exterior

Na imagem vemos um menino segurando um avião de papel amarelo.

Se tem uma coisa que eu e meu marido gostamos muito de fazer é viajar. Não importa se é longe ou perto ou se é no Brasil ou no exterior: a gente topa!

Quando nós estávamos pensando em ter um filho isso era uma das coisas que mais mexia comigo: como aliar as minhas tão amadas viagens com uma criança pequena? Como viajar longas distâncias de avião com um bebê? E se ela abrir um berreiro no meio da viagem? E se ela não quiser dormir nem um minuto? E se ela quiser ficar passeando no avião? E se ela tiver medo de voar? E se, e se, e se? Eram muitos “e se”s.

Mas daí aconteceu!

Vou contar um pouco sobre nossas viagens de avião com uma criança em idades variadas. Só para deixar mais didático, as viagens ocorreram nesta ordem cronológica:

Primeira viagem – Ida e Volta (Fevereiro/2018):
Trecho: Campinas (SP) -> Caxias do Sul (RS) e Caxias do Sul -> Campinas
Idade da Sofia na época: 10 meses
Tempo de viagem: +/- 1h30 (mas, para ter emoção, foram quase 4h na ida)
Viagem diurna (voo direto)
Empresa aérea: Azul Linhas Aéreas

Segunda viagem – Ida (Julho/2018):
Trecho: Guarulhos (SP) -> Nova Iorque (Estados Unidos)
Idade da Sofia na época: 1 ano e 2 meses
Tempo de viagem: +/- 10h
Viagem noturna (voo direto)
Empresa aérea: United Airlines

Voo doméstico 1
Trecho: Nova Iorque (Estados Unidos) -> Montreal (Canadá)
Tempo de viagem: +/- 1h15

Voo doméstico 2
Trecho: Toronto (Canadá) -> Washington D.C. (Estados Unidos)
Tempo de viagem: +/- 1h30

Terceira viagem – Volta (Agosto/2018):
Trecho: Washington D.C. (Estados Unidos) -> Guarulhos (SP)
Idade da Sofia na época: 1 ano e 3 meses
Tempo de viagem: +/- 10h
Viagem diurna/noturna (voo direto)
Empresa aérea: United Airlines

Quarta viagem – Ida e volta (Março/2019):
Trecho: Guarulhos (SP) ->Los Angeles (Estados Unidos)
Idade da Sofia na época: 1 ano e 10 meses
Tempo de viagem: +/- 13h
Viagem noturna (voo direto)
Empresa aérea: American Airlines

Voo doméstico 1
Trecho: São Francisco (Estados Unidos) ->Los Angeles (Estados Unidos)
Tempo de viagem: +/- 5h45

Ufa! Se você achou muito, eu também: viajamos mais de 50 horas de avião com uma criança de menos de dois anos de idade. Isso dá mais de 2 dias inteiros dentro de uma aeronave.

A boa notícia? Sobrevivemos!

Vou dividir este post em três partes: viagens de avião no Brasil e no exterior e principais perguntas e respostas sobre viagens com crianças pequenas.

Viajando de avião no Brasil

Nós, basicamente, fizemos a primeira viagem (Campinas – Caxias do Sul) como um teste para a segunda viagem, maior e muito mais demorada. Achei que essa tentativa foi muito importante, porque existem crianças que simplesmente não combinam com avião.

Na imagem vemos  a asa de um avião em pleno voo.

Tínhamos muita vontade de conhecer o Rio Grande do Sul, então, meio que unimos o útil ao agradável: testaríamos a “performance” da Sofia no avião e o marido aproveitaria para tomar muito vinho.

Antes de ter filhos, eu não ligava muito para essa coisa de voo direto. Se precisasse fazer uma escala para sair mais em conta a passagem, eu faria sem problemas. Mas, com criança pequena, voo direto se tornou prioridade para nós. Claro que isso não muda muito em um voo curto como foi o nosso primeiro, mas em voos mais longos isso faz toda a diferença.

Os preparativos para o voo nacional

Viagens nacionais com crianças pequenas não precisam de muitos preparativos. A primeira coisa a se considerar é o horário do voo. Eu recomendo que o primeiro voo da criança (se curto) seja feito durante o dia, para que ela se habitue com o ambiente (o aeroporto e a aeronave).

Se for possível, faça uma viagem curta para você observar como o seu filho reage. Ele se sentiu confortável no avião? Ficou normal durante a decolagem e a aterrizagem (algumas crianças sentem pressão no ouvido)? O dispositivo de lazer (geralmente uma TV por poltrona) foi eficaz como entretenimento ou isso não funcionou com a criança? Ele teve medo de voar? Se recusou a colocar e permanecer com o cinto afivelado? Enfim, observe como ele reage dentro da aeronave. Caso tudo tenha sido positivo, você pode se aventurar em viagens maiores posteriormente com muito mais confiança.

Na imagem vemos uma criança com a sua mãe segurando um avião de papelão.

[Dica 1: Como nem sempre é possível realizar um teste com um voo curto antes, alguns hábitos podem ajudar a criança a ficar mais tranquila durante uma viagem de avião. Algumas semanas antes da viagem, comece a conversar com o seu filho sobre o que é um avião, como funciona lá dentro, como se comporta, etc. Mostre desenhos nos quais os personagens estão viajando, compre livros com esta temática, compre um avião de brinquedo para que ele brinque. Isso já vai acostumando a criança com a ideia de voar e não a pega desprevenida).]

O voo (nacional)

Na imagem vemos uma criança com as mãos na janela do avião.
(Imagem do acervo pessoal da autora)

Nunca vou me esquecer dessas pequenas mãozinhas na janela do avião pela primeira vez. Enquanto eu e marido estávamos super ansiosos, Sofia estava toda toda explorando a janela, a TV, o cinto, o botão do ar condicionado e os outros passageiros do avião.

Como ela tinha 10 meses na época, escolhemos um aeroporto perto da nossa cidade para que a viagem não fosse tão cansativa. Se você tem bagagem a ser despachada (era o nosso caso), você precisa chegar no aeroporto com 2 horas de antecedência, então já fomos abastecidos com lanchinhos e leite (é permitido embarcar com uma mamadeira cheia de leite em voos nacionais).

Além da mala despachada, nós embarcamos com uma mochila de mão contendo itens básicos, tanto para ela, quanto para nós. Isso incluía nossos documentos e celulares, fralda, pomada de assaduras, lenço umedecido, álcool em gel, duas mudas de roupa, leite extra e mamadeira extra (você pode pedir para a aeromoça água aquecida para preparar o leite), chupeta, livrinhos e petiscos (no nosso voo foi servido apenas balas de gelatina e água).

Ao entrar na aeronave, eu fui descrevendo tudo para ela. Lembro que ela se divertiu muito com um folheto das normas de segurança (que eu detesto porque me faz lembrar tudo que pode dar errado) enquanto o avião taxiava.

Como ela era pequena e não pagou uma passagem, ela teve que viajar no nosso colo (revezamos algumas vezes), mas essa parte foi bem tranquila, afinal era um voo de menos de 2 horas.

Quando percebi que era hora de decolar, eu servi a mamadeira (poderia ter sido o peito, a chupeta ou algum petisco). O ato de sugar ou mastigar ajuda a diminuir a pressão no ouvido e evita dores nas crianças. É mais ou menos parecido com mascar chiclete enquanto descemos a serra.

Depois que estávamos no ar, pudemos relaxar vendo algum desenho na TV e as nuvens de algodão no céu. Mas logo em seguida ela adormeceu (pois é, Sofia adora um balanço de avião ou de carro).

A viagem correu super tranquila, sem nenhuma turbulência ou algo do tipo, tirando o fato que… arremetemos duas vezes (DUAS VEZES) e tivemos que pousar em Porto Alegre. Nesta hora acho que ela percebeu nossa tensão (não sei quantas vezes já andei de avião e nunca tinha vivenciado uma arremetida), e começou a chorar. Mas a chupeta, uma mamadeira extra e um desenho na TV foram o suficiente para deixá-la mais calma.

Nossa viagem terminou conosco dentro de um ônibus fretado pela Azul que levou todos os passageiros até a nossa cidade de destino. A volta foi relativamente igual, com a diferença que partimos e chegamos no lugar certo, sem arremetidas desta vez!

Viajando de avião para o exterior

Eu não vou negar que a pegada de viajar com uma criança pequena para o exterior é outra. Já tínhamos passado no teste com a viagem para o Sul do Brasil, mas passar 10 horas dentro de uma aeronave com ela era algo novo para nós. Nós estávamos com medo. MUITO medo.

Na imagem vemos uma criança olhando um avião pelo vidro do aeroporto.
(Imagem do acervo pessoal da autora)

O ritmo da viagem agora era completamente diferente: sairíamos de Guarulhos (uma cidade bem mais longe que Campinas), teríamos que chegar com 3 horas de antecedência no aeroporto, passaríamos por uma revista de segurança mais criteriosa, estávamos com mais bagagem (malas, carrinho de bebê e cadeirinha para o carro), Sofia já andava para todo lado, passaríamos pela imigração americana ao chegar nos Estados Unidos e mal tínhamos chegado em Guarulhos e já estávamos cansados. E ainda teríamos 10 horas dentro de um avião lotado, em um voo noturno, na classe econômica e com uma criança no colo. TENSO!

Depois de me perguntar umas quinhentas vezes porque o meu marido tinha tido essa ideia absurda (eu ganhei essa viagem de presente de aniversário dele e fiquei sabendo dela menos de um mês antes de embarcarmos), finalmente chegou a nossa hora de viver mais uma aventura em família.

Os preparativos para o voo internacional

Se preparar para uma viagem internacional é bem mais trabalhoso do que para uma viagem no Brasil, e os preparativos têm que ser feitos com bastante antecedência.

Na imagem vemos um avião em solo.

Primeiro porque você precisa de um passaporte e, segundo, dependendo para onde você for viajar, você precisa de um visto. Outra coisa que tem que ser vista com antecedência é a passagem aérea: aqui começamos a monitorar o preço de passagens aéreas uns 4 meses antes da data prevista (em baixa temporada) ou uns 6 meses antes (em alta temporada).

Providenciamos o passaporte da Sofia quando ela completou 1 ano (pois o passaporte de crianças até 5 anos só vale durante o dobro da idade) e logo em seguida já entramos com o processo de visto americano (que é muito mais fácil e rápido quando os pais já o possuem). Finalmente, fizemos o visto canadense (que pode ser feito online quando você já possui o visto americano). Uma trabalheira e muito dinheiro investido, mas para nós, que viajamos com uma certa constância para terras norte-americanas (por conta de trabalho) era quase que uma coisa indispensável.

Falando do preparo para o voo em si, nós usamos muito a técnica de conversar com ela antes (em ambas as viagens). Umas duas semanas antes nós já começamos a explicar que iríamos viajar, que iríamos andar de avião (“aquele que faz vuuuuummm, lembra?“), que seria mais demorado mas que quando chegássemos lá seria muito divertido (“filha, você tem noção que com 1 ano de idade você vai conhecer Nova Iorque?” Não, ela não tinha, claro!).

Levamos conosco uma mochila com todos os nossos pertences pessoais (documentos, passaportes, eletrônicos, remédios e dinheiro) e com as coisas dela (umas 10 fraldas – eu dei 2 para uma passageira que esqueceu as do filho), umas 2 mudas de roupa, casaco, meia reserva, lenços umedecidos desinfectantes (não pode embarcar com o gel, a não ser que tenha menos de 100 ml), pomadas, cobertor, uma boneca (porque ela era grudada nesta boneca), brinquedos pequenos, saquinhos para a fralda, escova e pasta de dentes.

E lá fomos nós, com a cara e a coragem. Ah, e uma criança pequena.

O voo (internacional)

Na imagem vemos uma criança dormindo em uma poltrona de avião.
(Imagem do acervo pessoal da autora)

Na ida (das duas viagens maiores) e na volta da primeira viagem nós demos a sorte de não ir ninguém ao nosso lado (os três aviões eram poltrona 3, 3, 3 e nós estávamos no corredor central), então nós conseguimos deixá-la na poltrona do meio, sempre com o cinto afivelado, como mostra na foto. Eu levei um cobertor dela e a vesti com uma roupa bem confortável (de tecido molinho) e tênis.

Na maior parte do tempo ela, ou dormiu, ou comeu, ou assistiu desenhos. Mas nós levamos alguns brinquedos também (falarei disso nas perguntas e respostas abaixo).

Na volta da última viagem internacional (Los Angeles -> Guarulhos pela AA), nós pegamos o avião lotado. Foi o voo mais estranho que eu já peguei na vida (teve celebridade no voo, teve briga para armazenar bagagem de mão, teve passageiro desmaiando, teve médico atendendo paciente, enfim), mas deu tudo certo no final. Só uma coisa: na ânsia por economizarmos com a passagem aérea, nós viemos EXTREMAMENTE DESCONFORTÁVEIS. Sofia tinha que deitar no meu colo e no do meu marido, ou seja, nós não conseguíamos nem nos mexer.

Se você tem uma criança menor de dois anos, e seu orçamento permitir e você for fazer uma viagem longa, eu aconselho: pague a passagem da criança. Eu me arrependi o trajeto inteiro de não ter pago (e essa foi a maior viagem, de 13 horas). Seria mais caro? Com certeza. Mas valeria o esforço (ou a economia em compras). É impossível viajar com a criança no colo? Não, claro, mas é muito cansativo, então esteja preparado para isso.

[Dica 2: Percebemos, ao longo do tempo que, é muito mais provável que você não tenha vizinho de assento se você: a) pegar lugares no corredor do meio; b) se você estiver em dois, pegar as cadeiras da ponta (dificilmente, se o voo não estiver cheio, alguém escolherá sentar no meio de dois estranhos, e caso isso aconteça, a pessoa vai aceitar trocar com um dos dois facilmente) e c) se você pegar voos em dia de semana].

Perguntas mais frequentes sobre viagens de avião com crianças pequenas

Fizemos uma lista com as dúvidas mais comuns de pais ao viajarem com seus filhos pequenos de avião e responderemos com base na nossa experiência e na experiência de amigos que já passaram por isso. Vamos lá!

Com quantos meses a criança pode viajar de avião pela primeira vez?

Na imagem vemos uma criança deitada no colo da mão em um avião.

Isso depende de alguns fatores. Algumas companhias aéreas estipulam uma idade mínima para bebês embarcarem (7 dias de vida com atestado médico da saúde do bebê e da mãe).

No entanto, o ideal é não embarcar com crianças abaixo de 2 meses de idade, pois, além da pressão na decolagem e no pouso, elas não possuem imunidade suficiente para ficarem em um lugar fechado e com muita gente como é o caso das aeronaves.

Na dúvida, sempre converse com o pediatra do seu filho.

Crianças pequenas pagam pela passagem de avião?

Normalmente, em voos nacionais ou domésticos, as companhias aéreas não cobram pela passagem de crianças menores de 2 anos, se estas viajarem no colo dos pais. Já em voos internacionais, as empresas podem cobrar em torno de 10% (valor mínimo) do preço total da tarifa (que inclui as taxas de embarque e impostos), mas, novamente, a criança terá que viajar no colo dos acompanhantes.

Acima dos 2 anos é obrigatório que as crianças sejam acomodadas em um assento individual e, neste caso, os valores das passagens variam de 50% a 75% do preço total da tarifa.

Na imagem vemos uma criança segurando um avião de papel rosa.

No caso de acontecer de apenas um adulto estar viajando com dois bebês menores de dois anos, é preciso reservar um assento, ou seja, comprar outra passagem. Isso serve para garantir a segurança de todos durante o voo.

Mesmo que a criança seja bem pequena (6 meses, por exemplo), é importante informar a presença do bebê ao iniciar a busca por passagens. Se você ainda permanecer confuso, ligue na central da empresa aérea de interesse; normalmente eles são bastante solícitos.

Para informações da ABEAR, clique aqui.

Ao viajar com uma criança, há um tratamento especial por parte da empresa aérea?

Em boa parte das empresas, sim. Além de ter o embarque preferencial, alguns extras podem ser oferecidos.

Na imagem vemos uma criança recebendo um lanche da comissária de bordo.

Algumas companhias oferecem refeições especiais para crianças (assim como refeições para pessoas com restrição à lactose ou glúten, vegetarianos ou veganos), porém é preciso pedir com antecedência. Algumas aceitam esse pedido na hora do check-in, mas é mais garantido fazer isso por telefone ou em algum serviço ao cliente da empresa.

Praticamente todas as empresas possuem um ou mais banheiros no avião com um suporte para trocador. Se no seu voo não houver nenhum espaço para trocar a fralda, peça ajuda da tripulação.

Dependendo da companhia aérea, um bercinho especial pode ser solicitado antes do embarque para os bebês. Para quem comprou a passagem para a criança, o bebê conforto pode ser acomodado no assento junto ao cinto de segurança.

Por fim, se o voo não estiver cheio, algumas empresas podem sugerir à família com crianças que se sentem em lugares mais confortáveis (como o espaço + ou plus) ou em fileiras que não estão totalmente preenchidas.

Quais documentos são necessários para viajar de avião com crianças pequenas?

Em voos nacionais

Os documentos exigidos para embarcar com crianças em voos no Brasil são:

Na imagem vemos um RG infantil.
  • Registro Geral (RG) ou
  • Certidão de nascimento ou
  • Passaporte (para crianças estrangeiras)
  • Cartão de embarque

Bebês, crianças e adolescentes de até 16 anos viajando no Brasil devem seguir as seguintes condições:

  • Criança acompanhada por um parente de até 3º grau (pai, mãe, irmãos maiores de 18 anos, tios, avós e bisavós): é exigido um documento provando o grau de parentesco.
  • Criança acompanhada por pessoa maior de idade sem parentesco: precisa ter autorização expressa pelo pai, mãe ou responsável, com firma reconhecida em cartório. Algumas empresas pedem a autorização de ambos os pais. Portanto, é importante conferir as exigências com antecedência.

Em voos internacionais

Os documentos exigidos para embarcar com crianças em voos para o exterior são:

Na imagem vemos um passaporte brasileiro.
  • Carteira de Identidade (para países do Mercosul)
  • Passaporte (para os demais países)
  • Visto (se o país exigir. Se o visto estiver em um passaporte antigo, você deverá levar os dois: o atual e o que contém o visto)
  • Certificado internacional de vacinação (pode ser solicitado para voos da África, América Latina e Caribe, Ásia e Oceania; confira a regulamentação do seu país de destino).

Se o menor viajar para fora do Brasil acompanhado de apenas de um dos pais, as empresas aéreas exigem a apresentação de uma autorização assinada pelo outro pai (pode ser de cartório, com firma reconhecida; ou judicial ou consular, no caso de residentes no exterior). Se a criança viajar na companhia de um maior sem parentesco, a autorização deve ser assinada por ambos os pais.

Crianças pequenas têm direito a bagagem?

Depende da idade da criança.

Crianças com até 2 anos de idade não pagantes não têm direito a bagagem despachada, mas poderá levar um carrinho de bebê dobrável ou um bebê conforto ou uma cadeirinha para carro. Normalmente, carrinhos desmontáveis com sistema de retenção (Travel System) são considerados um só item, razão pela qual você poderá levar a bordo os dois elementos que o compõe (base e cadeirinha) ou apenas um deles.

Na imagem vemos uma criança deitada sobre uma mala.

Crianças com mais de dois anos, pagantes, normalmente têm direitos de bagagem idênticas à bagagem permitida a um adulto. Se você viajar com uma criança entre os 2 e 5 anos pode ainda transportar gratuitamente o carrinho de bebê (totalmente dobrável) ou cadeirinha, desde que a mesma seja utilizada a bordo.

No entanto, como existem diversas normas de bagagem atualmente, é muito importante consultar detalhadamente quais as normas da empresa aérea que você escolher.

Carrinho de bebê é considerado bagagem?

Normalmente, as empresas aéreas não consideram o carrinho de bebê como bagagem, mas é sempre bom confirmar quando você fechar a passagem aérea.

Além disso, é possível usar o carrinho até o momento do embarque. Na ida, na porta do avião, os funcionários da companhia recolhem este objeto e o acomoda no compartimento de bagagens da aeronave. Já na hora do desembarque, o carrinho pode ser retirado na porta do avião ou na esteira rolante.

O que levar na bagagem de mão para crianças pequenas?

Basicamente, eu recomendo levar na bagagem de mão itens de uso pessoal da criança (fique atento às dimensões da mala ou mochila para que você possa embarcar com ela). Em casos de voos internacionais, apenas preste atenção na quantidade de líquidos (não pode ultrapassar 100ml, mesmo que a embalagem não esteja cheia – e isso vale para remédios).

  • Fraldas descartáveis (leve sempre uma quantidade a mais, é melhor sobrar do que faltar) e calcinhas/cuecas extras;
  • Lenço umedecido e pomada de assadura;
  • 1 ou 2 mudas de roupa;
  • Casaco e meia (dentro do avião costuma ser bem gelado);
  • Chupeta (se a criança usar);
  • Mamadeira (se a criança usar);
  • Leite em pó (no compartimento medidor próprio para isso);
  • Paninhos de boca;
  • Lenços desinfectantes (eu uso para dar uma “limpada” no avião);
  • Protetores de assento sanitário para crianças desfraldadas (tem para vender em farmácias);
  • Remédios: converse com o pediatra e peça uma lista de remédios que você deve levar na viagem com as respectivas dosagens. Separe para a bagagem de mão o analgésico, o anti-térmico e um remédio para enjoo.
  • Snacks saudáveis industrializados (chips de batata ou batata doce, pipoca embalada (com selo), biscoitos, barrinha de cereal, etc.).

Como distrair os pequenos durante o voo?

Na imagem vemos uma criança desenhando em um papel.

Eu sou do time que leva brinquedos para distrair a criança. Você pode preparar um estojo ou uma bolsinha menor com algumas coisas para entreter as crianças durante o voo.

Algumas ideias são:

  • Bloquinho de papel e giz de cera para desenhar;
  • Alguns bloquinhos de montar;
  • Livros interativos (com adesivos, por exemplo);
  • Cartela de adesivos;
  • Quebra-cabeças (com poucas peças);
  • Massinhas e alguns acessórios para modelar;
  • Jogos de pergunta e resposta ou adivinhação (para os maiores);
  • Jogo da memória (com poucas peças).

Em viagens longas eu também acho válido levar um tablet com o download dos desenhos e filminhos favoritos da criança. Mas, atenção: use este recurso depois de já ter tentado o resto, pois aparelhos eletrônicos despertam os pequenos.

Como deixar o ambiente mais confortável?

Deixar o ambiente mais confortável para as crianças é uma dica valiosa, porque pode literalmente fazer toda a diferença em uma viagem.

Na imagem vemos uma criança olhando pela janela de um avião.

Se o seu filho ou filha tiver um objeto com valor sentimental, principalmente objetos ou paninhos que ele usa para dormir, leve com vocês na mala de mão e ofereça depois que o avião decolar.

Prepare o ambiente físico (a poltrona, no caso) para torná-lo o mais confortável (dentro das possibilidades, claro). Você pode levar um cobertor leve e pequeno da criança ou o travesseiro dela.

Uma dica de ouro é levar uma fita adesiva na bolsa e colocar nas luzinhas do avião para tampar um pouco a luminosidade. Isso ajuda as crianças a pegarem no sono mais facilmente. Se o bebê for de colo, uma dica para transportar seu bebê de um jeito confortável, é levar consigo uma almofada de amamentação, para acomodá-lo da melhor forma possível.

[Dica 3: Seja o último a embarcar, se possível. Se você estiver viajando com um acompanhante, deixe que ele embarque na fila de prioridades e acomode as malas, enquanto você e o bebê esperam todos os passageiros embarcarem. Com isso você evita ficar restrito ao seu assento e de irritar o bebê antes mesmo do avião decolar.]

E se a criança começar a chorar?

Se a criança começar a chorar, mantenha-se calma. Acolha o choro do seu filho (brigar ou pedir para ele parar só vai piorar as coisas), abrace a criança e tente entender o porque dela estar chorando. O ouvido dói? O espaço está muito apertado? Ela está com medo? Está com tédio ou fome?

Se o aviso do cinto de segurança estiver desligado, dê uma volta com a criança pelo avião. Vá até o fundo, pegue um copo de água, deixe que ela ande um pouquinho. Mostre como é o banheiro e a cozinha de um avião. Proponha alguns exercícios para vocês se alongarem.

Explique que vocês podem ficar em pé só durante alguns minutos, por conta da segurança de vocês. Se a criança continuar chorando, tente distrai-la com algum brinquedo ou com a TV de entretenimento do avião.

Se nada disso funcionar, paciência. Geralmente, os passageiros se sensibilizam com os pais e com a criança e muitas vezes os próprios comissários de bordo dão uma ajudinha.

Na imagem vemos uma criança chorando.

Já aconteceu de eu estar em um voo com mais umas 15 crianças e você deve imaginar o chororô. Mas eu te garanto: o choro incomoda muito mais os pais do bebê do que os demais passageiros que podem estar de fone de ouvido ou dormindo pesado. Afinal, se a pessoa quiser silêncio total, ela que alugue um jatinho!

Voos noturnos ou diurnos para grandes viagens?

Em viagens internacionais, prefira os vôos noturnos.

Com as luzes apagadas, os passageiros em silêncio e o balancinho gostoso da aeronave, certamente seu filho pegará no sono (dedos cruzados!!!!).

Cuidados com a decolagem e aterrizagem

A mudança de pressão na hora da descida e subida pode incomodar as crianças por conta das dores de ouvido.

Para os bebês, a melhor coisa é mamar (no peito ou mamadeira), beber água ou chupar chupeta por causa do movimento de sucção. Para os mais velhos, prefira uma goma de mascar para movimentar as mandíbulas.

Recado aos pais

Você já deve ter percebido que viajar com crianças pequenas requer certos cuidados e preparações. Não é a tarefa mais moleza do mundo, eu tenho que admitir. Mas também não é algo horrível e tenso a ponto de você desistir de uma viagem.

Acho que vale não criar muitas expectativas. Cada criança é única e mesmo uma criança pode ter vários comportamentos diferentes em cada voo que fizer.

Eu sei que nem sempre é possível fazer um teste com uma viagem menor antes. Eu sei que nem sempre o orçamento permite pagar uma poltrona extra por opção para crianças abaixo de 2 anos. E eu sei que nem sempre é possível, financeiramente, pegar voos diretos.

Eu tenho plena consciência que uma viagem internacional (ou mesmo nacional) não é algo trivial, barato e simples. Para muitas pessoas é um sonho ou a economia de muito trabalho duro.

O que eu pretendo passar com este post é que: a) não é tão simples; b) cansa pra caramba o processo todo de aeroportos e aviões e c) vale muito a pena curtir uma viagem em família, mesmo com todos os desafios envolvidos.

Para finalizar, alguns conselhos que eu gostaria de ter ouvido antes do nosso primeiro voo em trio: 1) se prepare muito para a viagem; 2) envolva a criança nos processos; 3) não crie expectativas (nem boas e nem ruins); 4) não se preocupe tanto com os “e se”s; 4) confie no seu filho e na sua parentalidade; 5) não se preocupe tanto com o que os outros passageiros irão pensar se o seu filho chorar; respeitá-los já é o suficiente.

Com tudo isso, só me resta te desejar

Um bom voo e uma ótima viagem! 😀


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