Desenvolvimento infantil

Adeus, chupeta!

A chupeta é um braço direito de muitos pais. Aqui em casa, por exemplo, ela foi uma super ajudante em vários momentos, eu admito. Mas, existe um limite entre o uso para acalmar e o uso extremo (quase viciante) deste acessório.

Na foto vemos uma criança com uma chupeta na boca.

Uma dúvida muito comum que eu vejo os pais tendo é como e quando estimular a criança a deixar de usar a chupeta sem que isso vire um verdadeiro problema para a família.

Antes que você fique com os cabelos em pé só de pensar no assunto, confira algumas dicas abaixo para que essa transição ocorra da melhor maneira possível.

Chupeta: usar ou não usar?

Essa é uma questão bastante controversa.

Na foto vemos uma chupeta azul e amarela.

Na minha opinião, cada família é responsável por decidir se vai oferecer ou não a chupeta para a criança. Porém, antes de sair comprando vários modelos de chupetas e oferecendo para o seu filho, é importante pensar em como esse objeto funcionará dentro da rotina familiar:

  • A criança poderá usar a chupeta pelo tempo que quiser?
  • A criança usará a chupeta apenas para dormir?
  • A criança usará a chupeta apenas para se acalmar?

Outro ponto importante é conhecer e se informar sobre os prós e os contras do uso da chupeta antes de tomar qualquer decisão.

É nítido que a chupeta auxilia muito os pais, principalmente porque ela funciona como uma forma de aliviar o estresse e como uma ajuda extra para a criança se adaptar às situações novas e desafiadoras, como começar uma escolinha ou fazer uma viagem longa de carro ou de avião.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (1) cita em sua página que “alguns especialistas acreditam que o uso da chupeta diminui a chance de Síndrome da Morte Súbita do Lactente. […] Além disso, percebe-se que, ao estimular o desenvolvimento da sucção em bebês prematuros, se favorece o ganho de peso e a redução do tempo de hospitalização de bebês prematuros“.  Porém, na mesma página, a SBP cita os malefícios deste acessório.

Mas quais são eles?

Na foto vemos uma criança com uma chupeta na boca.
  • A chupeta pode ser uma das causas de otites de repetição;
  • A chupeta pode ser um fator para o abandono precoce da amamentação materna [3];
  • A chupeta pode ser um fator desencadeante de problemas na fala [4];
  • A chupeta pode dificultar o desenvolvimento dos músculos da língua e dos lábios;
  • Em alguns casos, o uso frequente da chupeta pode fazer com que a língua se projete para a frente, causando problemas nos dentes ou de ceceio (a língua entra no meio dos dentes na hora de falar sons como”s” e “z”);
  • As chupetas podem alterar o desenvolvimento do osso do palato (céu da boca);
  •  Quando não higienizada corretamente, a chupeta pode conter fungos e bactérias que acarretam aftas e candidíase oral (conhecida popularmente como “sapinho”);
  • As chupetas, quando não higienizadas corretamente, podem causar cáries nos dentes.

O que fazer se eu resolver oferecer a chupeta para o meu filho?

Se depois de avaliar os prós e os contras da chupeta você decidir que irá oferecê-la ao seu filho, alguns cuidados são necessários para que este hábito não se torne um problema no futuro.

Na foto vemos uma criança com uma chupeta na boca.
  • Compre chupetas de marcas confiáveis e com certificação e sempre cheque se está tudo certo com o bico. Partes soltas como bico e aquele aro podem ser perigosos, pois, caso esses se desprendam, podem causar asfixia.
  • Introduza a chupeta apenas após a amamentação estar estabelecida, ou seja, com o bebê mamando bem, ganhando peso por mais de duas semanas e a mãe sem fissuras ou dores no momento de amamentar.
  • Limite o uso da chupeta até no máximo 2 anos de idade.
  • Coloque limites para o uso da chupeta (na hora de dormir, durante a noite ou em momentos de choro intenso, por exemplo).
  • Tente entender o porque do seu filho estar chorando para que você possa ajudá-lo antes de já ir colocando uma chupeta na boca dele toda vez que ele chorar.
  • Pais de crianças de 7, 8 e até mesmo 10 anos de idade que ainda usam chupetas devem procurar a ajuda de um profissional. Neste caso, é importante refletir sobre o que se passa emocionalmente com a criança e qual a função psíquica da chupeta na vida dela.
  • Não use cordinhas ou paninhos para prender a chupeta à roupa da criança. Além do risco de sufocamento e estrangulamento, o hábito faz com que a chupeta fique disponível por mais tempo.
  • Higienize a chupeta corretamente: lave bem pelo menos uma vez por dia e todas as vezes que ela cair no chão. Para bebês, o correto é esterilizar os bicos todos os dias.

Como incentivar meu filho a largar a chupeta?

Existem algumas maneiras de incentivar o seu filho a abandonar a chupeta mais rápido, mas claro que isso dependerá de alguns fatores, como a personalidade da criança, a consistência dos pais, se a criança usava a chupeta com limitação ou livremente e o nível de apego com este acessório.

Eu já adianto que aqui em casa o apego era forte, porém o tempo de uso era limitado. Resolvemos parar com o uso aos 2 anos, depois de irmos a odontopediatra. Foi fácil? Não! Foi muito difícil como eu pensava que seria? Não também!

Na foto vemos uma criança tentando pegar uma chupeta.

Então, meu recado pessoal é: seja firme e mostre para a criança, com amor e com respeito, o porque largar a chupeta é importante.

  • Se a criança usa a chupeta livremente, comece a limitar o uso para alguns minutos do dia ou da noite.
  • Tenha MUITA paciência com a criança: momentos de transição costumam ser tensos para eles, então tente entender o quão difícil está sendo para a criança e a trate com respeito e carinho mesmo nas horas mais difíceis.
  • Retire a chupeta da vista da criança nos momentos em que você não quer que ela use e sempre procure entretê-la quando ela pedir pelo acessório.
  • Não tenha muitas chupetas (no máximo duas). Assim, se a criança perder ou estragá-las já há uma possível desculpa para o abandono total.
  • Identifique os sinais de que seu filho está pronto para largar a chupeta e aproveite o momento. Durante um resfriado, é comum que a criança rejeite a chupeta, pois precisa respirar pela boca por causa do nariz entupido. Se isso acontecer, tire as chupetas de vista e espere. (2)
  • Se você for premiar a criança por ficar sem chupeta, que seja com brincadeiras, estrelinhas ou abraços e nunca com doces. Não troque seis por meia dúzia.
  • Converse com a criança de forma simples e respeitosa. Mostre a ela os efeitos da chupeta a longo prazo (eu mostrei fotos de dentes tortos para a Sofia), fale que os bichinhos adoram ficar no bico e lá eles fazem suas necessidades (o que não é nenhuma mentira).
  • Existem livros específicos para esta fase. Compre alguns livros e leia para o seu filho antes de dormir. Mostre a ele que ele não está sozinho nesta fase.
  • Fale sobre a sua própria infância (as crianças adoram!). Conte que você também usava chupeta e que um dia também teve que parar. Mostre ao seu filho que você o compreende e que sabe que este momento não é fácil, mas que você estará ao lado dele para ajudá-lo.
  • Use um calendário para anotar os dias em que seu filho ficou sem a chupeta. Para cada dia sem, marque com um adesivo colorido, como uma estrelinha dourada. E quando ele completar uma semana sem chupeta, dê um prêmio, como um passeio especial ou uma brincadeira a dois. [2]

Livros para o seu filho deixar a chupeta

Alguns livros que abordam esta temática podem ajudar – e muito! – as crianças a largar a chupeta sem nenhum tipo de stress ou trauma. Veja a nossa seleção abaixo:

Na imagem vemos alguns livros indicados para as crianças deixarem a chupeta: Tchau, tchau chupeta; Julieta larga a chupeta; Pipo o troca-chupetas; O balde de chupetas; Tchau chupeta; Minha chupeta virou estrela; A fada da chupeta e outras histórias; Adeus chupeta!; Bibi não chupa mais o dedo e A chupeta de Nina.

Fontes Utilizadas

(1) SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Uso de chupeta: os prós e os contras. Disponível aqui.

(2) BABY CENTER BRASIL. O que fazer para a criança largar a chupeta? Disponível aqui.

(3) LAMOUNIER, J. A. The influence of nipples and pacifiers on breastfeeding duration. Jornal de Pediatria, v. 79, n. 4, 2003.

(4) SHOTTS, L. L.; McDANIEL, D. M.; NEELEY, R. A. The impact of prolonged pacifier use on speech articulation: a preliminary investigation. Contemporary issues in communication science and disorders, v. 35, p. 72-75, 2008.


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** Todas as imagens utilizadas neste post foram retiradas da Plataforma Canva e possuem os seus direitos respeitados.

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