Bem estar materno e infantil,  Papo de mãe

5 dicas para maternar durante essa pandemia

Ninguém estava preparado para isso. Nem eu, nem você, nem os países mais desenvolvidos, nem o mundo de forma geral.

E, muito menos, as nossas crianças.

Mas, por incrível que isso possa parecer, parece que elas estão reagindo melhor do que nós, pais e adultos. Seria a resiliência uma característica que perdemos à medida que envelhecemos?

Sem precedentes

Você não precisa se sentir culpada todas as vezes que tem vontade de chorar ou quando perde a paciência com as crianças.

A verdade é que nós nunca passamos por algo assim, pelo menos não desse jeito. A pandemia mais avassaladora da história foi a peste negra ou bubônica, mas ela ocorreu (para a nossa sorte!) no século XIV. Teve a gripe espanhola também, mas esta ficou no começo do século XX.

Desde que estamos vivos, tivemos a gripe suína, em 2009. Mas, embora ela tenha levado à óbito aproximadamente 575 mil pessoas (1), ela foi “logo resolvida” através da possibilidade de uma vacina em curto prazo (o que não possuímos agora). Também acompanhamos o grave surto de ebola em 2014, mas esse vírus extremamente mortal não chegou ao Brasil.

Ou seja, em nossa geração, essa é a primeira vez que estamos em meio à uma pandemia mundial sem a perspectiva de uma vacina a curto prazo. E isso é muito assustador!

Como ficam as nossas crianças no meio de tudo isso?

Se a gente se colocar no lugar de nossos filhos talvez seja mais fácil imaginar o que eles estão sentindo.

E eu acredito que não seja tão diferente assim do que nós mesmos sentimos, visto que eles também mudaram a rotina, deixaram de interagir com outras pessoas, estão vivendo em isolamento e com diversas restrições.

Se somarmos à isso o fato de que eles não sabem expressar suas emoções como medo, angústia e estresse da forma como nós sabemos a coisa piora um pouquinho. E piora mais à medida em que nós, adultos, descontamos neles toda a nossa frustração e angústia.

Mas esse assunto específico será tratado no próximo post.

Neste eu quero conversar com você, mulher e mãe (e claro que isso inclui você também, papai) que em meio à essa turbulência em que nos encontramos ainda precisa tirar forças e energia para maternar.

Como ficam as mães?

Cansadas. Exaustas. Estressadas. De mal humor. Irritadas. De saco cheio. Esgotadas. Em uma montanha russa de humor.

Essa foto me representa!

Sim, nós ficamos tudo isso e mais um pouco. E, convenhamos, teria como ser diferente?

Muitas de nós estão trabalhando as 8 horas por dia em home office. E além disso, temos uma casa para manter limpa e organizada, roupas, comida, louças e, claro, nossos filhos. Nossas obrigações são tantas que simplesmente não dá tempo de cuidarmos de nós.

Se a jornada antes era dupla, agora é quádrupla. Como não se sentir cansada, frustrada e angustiada diante disso?

5 dicas para nos sentirmos melhor como pessoa e como mãe nessa quarentena

Andei pensando muito sobre isso e procurei várias pessoas para me ajudar a compilar 5 dicas para nós, mães, seguirmos firmes com essa tarefa nada fácil que é ser mulher, profissional e mãe.

Dica 1: Coloque para fora!

Eu confesso que eu perdi as contas de quantas vezes eu chorei durante um banho ou antes de pegar no sono.

Chorei de cansaço pelo dia abarrotado de afazeres; chorei por não estar sendo a melhor profissional neste momento; chorei por não estar sendo a mãe que a minha filha merecia ter nesse momento; chorei por permitir que ela fique em telas o dia todo para eu poder trabalhar; chorei pelos gritos e broncas ao ser interrompida durante uma reunião.

Chorei também por medo de perder uma das pessoas que eu amo para esse vírus. Chorei ao ver as notícias das pessoas sozinhas em um hospital, morrendo sem nem ao menos se despedir dos seus familiares. Chorei ao ter que fazer uma festa de aniversário totalmente diferente da que a minha filha me pediu e que eu mesma imaginava. Chorei n vezes por não estar dando conta de tudo que tem sido me passado no trabalho.

São tempos de muita tensão e guardar nossos sentimentos o tempo o todo é como um cano hidráulico que recebe uma pressão maior do que ele foi feito para suportar: uma hora ele estoura e o estrago é centenas de vezes pior do que se nós tivéssemos antevisto uma forma de consertá-lo.

Por isso, minha amiga, coloque para fora!

Dica 2: Faça algo rápido por você

Não precisa ser algo super complexo. Eu tenho plena consciência que é pedir demais você ver uma série inteira na TV ou ler vários livros relaxando ao por do sol.

Não precisa ser em uma super banheira, mas você entendeu o que eu quis dizer né! hehehe

Mas tem coisas simples e rápidas que podem ajudar nos dias mais desafiadores. Quer ver só?

  • Tome um banho mais demorado ao final do dia. Aproveite para usar um produto que você gosta para esfoliar a pele ou para se ensaboar. Sinta a água caindo em seus ombros, feche os olhos e apenas curta o momento.
  • Tire 15 minutos para se alongar. Com o stress do dia a dia nós tendemos a enrijecer nossos músculos e acabamos sentindo dores nos ombros, costas e lombar. Tire 15 minutinhos para alongar o pescoço, os ombros, a coluna, as pernas.
  • Faça uma aula de yoga. Existem ótimos aplicativos que ensinam a prática do yoga, mesmo para iniciantes. Eu uso o Down Dog e programo aulas 3 vezes por semana por 20 minutinhos. Preste atenção na sua respiração, na sua postura e nos seus pensamentos.
  • Ouça uma playlist que você gosta. Não precisa ouvir 50 músicas; as vezes, ouvir duas ou três de nossas músicas favoritas já melhora consideravelmente nosso humor.

Escolha uma dessas opções (ou outra que você preferir) e faça o teste!

Dica 3: Pare de se culpar o tempo todo

Essa super vale para mim também.

A real é que a gente não precisa dar conta de tudo o tempo todo. Somos humanas e em tudo que eu fazemos tentamos dar o nosso melhor. Pode não sair exatamente como planejamos, mas saber que nós demos o nosso máximo dentro do nosso contexto é reconfortante.

Isso vale para nossa vida pessoal e profissional. As vezes as pessoas criam expectativas altas demais. Entregue aquilo que você pode no momento. E saia de cabeça erguida sabendo que você deu o seu melhor.

Com nossos filhos funciona da mesma maneira: nós também estamos em um furacão interno. Nem sempre conseguiremos manter a calma e dar tudo que eles precisam. Não vamos nos culpar por não estarmos na nossa melhor versão. Sinceramente, ninguém está.

E tá tudo bem.

Dica 4: Converse com outras mães

Eu sempre defendo o diálogo, porque quando não dialogamos nos tornamos uma ilha isolada.

Estamos todas na mesma tempestade, algumas com um barco mais firme e com mais marinheiros à bordo para enfrentarem as tormentas. Outras, com um barco menor e sozinhas para enfrentar as grandes ondas.

Mas uma coisa é certa: estamos no mesmo mar furioso e é hora de nos ajudarmos mais do que nunca, mesmo que distantes umas das outras.

Por isso, troque ideias com outras mães, peça dicas, conselhos; ouça o que as pessoas têm a dizer. Repense algumas coisas que você está fazendo no dia a dia só porque estava no piloto automático. São tempos diferentes que exigem posturas e rotinas diferentes.

E nada como saber que não estamos sós!

Dica 5: Seja sincera com a sua criança

Você já deve ter percebido que as crianças pressentem as coisas né! Eles sabem quando estamos felizes, entusiasmados, tristes ou angustiados.

Por isso, não tente dar uma de forte quando você não está.

Eu já falei para a Sofia que eu também sinto medo, que eu também estou entediada de só ficar em casa e que as vezes eu também choro porque estou triste com tudo isso. Também já pedi um tempo – “A mamãe está muito cansada. Posso ficar 5 minutos sozinha para me sentir melhor?”.

De verdade, eles entendem… mais do que a gente imagina!

Fontes Utilizadas

(1) DAWOOD, F. S. Estimated global mortality associated with the first 12 months of 2009 pandemic influenza A H1N1 virus circulation: a modelling study. Disponível aqui.


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** Todas as imagens utilizadas neste post foram retiradas da Plataforma Canva e possuem os seus direitos respeitados.